A perseguição do Facebook ao direito de expressão

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Prometi contar aos meus amigos o ocorrido e aqui vai. Um belo dia, ao entrar no Facebook, me deparei com um recado dizendo que tinham uma pesquisa de opinião rápida e pediam que eu a respondesse. Como disseram que era rápida, decidi responder. Grande erro!! Nunca confiem que uma empresa que não valoriza o direito de livre expressão irá gostar de ouvir opiniões sinceras.

Na lista de perguntas sobre minha “experiência no Facebook”, havia uma pergunta sobre o que poderia melhorar. Eu respondi que deviam melhorar as análises de conteúdo, pois haviam páginas que promoviam crimes (como a página que dizia que queria a morte de todos os policiais), enquanto bastava uma pessoa escrever “bicha” que era suspensa por 30 dias. Nas conclusões, ainda dei conselho: falei que a rede iria acabar sendo extinta porque as pessoas estavam cansadas daquele duplo padrão de punições.

Naquele dia, fiz uma postagem bem humorada dizendo que após essa pesquisa, era capaz do Facebook me suspender. Na verdade, embora soubesse das perseguições a páginas de direita e conservadoras, eu não esperava que isso realmente viesse a acontecer.

Pois, após alguns dias, ao chegar no trabalho e ir checar o Facebook no iPhone, recebi a mensagem que “minha sessão havia expirado”. Achei estranho, pois deixo setado para não desconectar. Fui entrar e recebi a mensagem estranha que havia tido uma tentativa de acesso suspeito e que eu precisaria utilizar outros métodos para confirmar minha identidade. A partir daí, começou o meu tormento. Tentei de tudo: reconhecer rostos de amigos, pedir para 3 amigos me enviar um código secreto e receber SMS com código e NADA me dava acesso à minha conta. Eu SABIA que não havia tido nenhuma tentativa de acesso suspeita porque eu recebo e-mail sempre que isso ocorre (e geralmente sou eu em outro aplicativo) e não havia recebido nada. O que ocorreu é que, não importava qual o método eu utilizasse, o Facebook sempre exigia que eu trocasse de senha, para finalmente rejeitar a nova senha e responder que um erro tinha impedido que eu trocasse a senha.

Tentei no iPad e tive o mesmo problema. Achei muito suspeito, porque não tinha tido nenhum acesso suspeito e nem postagem polêmica (além do meu habitual) e comecei a suspeitar que o funcionário que leu minhas respostas resolveu me dar uma liçãozinha. Foi quando decidi responder um dos e-mails ameaçando um processo. Veja bem! O Facebook pode punir quem escreve certas coisas na sua timeline alegando que contrariam as regras, nas NÃO PODE punir alguém por responder uma pesquisa! Repeti a ameaça no único ponto do site que foi permitido acessar, para contato sobre problemas de acesso.

“Coincidentemente”, de tarde, ao voltar do almoço, meu acesso milagrosamente se restabeleceu. E para provar que haviam realmente me punido por conteúdo, fui levado a uma página onde tive que ver minhas últimas postagens para ver se deveria deletar alguma (o que geralmente é feito quando a suspensão é por postagem inadequada).

A verdade é que, se as leis realmente fossem seguidas, o Facebook no Brasil já estaria sendo investigado pelo Ministério Público, como aliás, vem sendo investigado nos EUA e na Europa por ceder dados de seus usuários para empresas. Acredito que a perseguição ideológica é algo muito mais grave que passar dados para uma empresa tentar me vender uma roupa ou um aparelho.

Não é à toa que duas redes que ninguém conhecia, GAB e MeWe, começaram a crescer, embora ainda sejam muito inferiores em recursos ao Facebook. Recentemente, Zuckerberg anunciou que gostaria de criar um “tribunal superior” para julgar o conteúdo da sua rede. Já sabemos que perfil terão os integrantes desse tribunal, então temos que buscar alternativas à “rede azul que é vermelha”.