Sérgio Moro e os vazamentos de conversas com Dallagnol

Disfarçado de jornalismo investigativo, apoiadores de Lula tentam invalidar toda a operação Lava-jato somente para soltar o ex-presidente.

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O enredo não é novo. Nem mesmo muito brilhante. Mas isso não é necessário quando a maioria da Imprensa brasileira elegeu o novo Governo como alvo a ser destruído. Ideologia? Claro que há um ranço ideológico, mas o real motivo é a ameaça de corte de imensos volumes de dinheiro público que eram transferidos para os órgãos de imprensa escrita, rádios e TV em governos anteriores e que atingiram níveis absurdos durante os governos petistas. Qualquer blogueiro conseguia por mês mais do que o dinheiro necessário para manter uma Santa Casa de uma cidade de interior, só para colocar um anúncio de alguma empresa pública, a imensa maioria delas, sem concorrentes devido ao monopólio do Estado.

Como disse, o enredo é velho. Há alguns meses, quando foi noticiado que a crise econômica em que Dilma havia enfiado o Brasil já estava começando a dar sinais de redução, um jornalista irresponsável publicou que uma gravação feita por um empresário revelou que o então Presidente Temer teria ordenado pagar uma propina a Eduardo Cunha para que ficasse calado. O dólar disparou, a bolsa caiu e todos os sinais de recuperação se esvaíram em 24 horas. Ao revelar a tal gravação, o que vimos foi uma conversa praticamente ininteligível e uma frase – “Tem que manter isso aí” – que não provava nada. Mas aí já era tarde. Toda a economia de um país havia sido abalada por uma verdadeira fake news, embora a imprensa nunca tenha admitido isso.

E, novamente, o que vemos é isso. Existem no Governo Bolsonaro, dois integrantes que lideram a aprovação, além do Presidente, de boa parte do eleitorado: Paulo Guedes e Sérgio Moro. Arrisco dizer que esses dois são aprovados até por pessoas que não votaram em Bolsonaro, ou seja, integram uma espécie de blindagem do atual Governo. Com a aproximação da votação da Reforma da Previdência que, se aprovada, daria a Guedes poder para implementar seu plano de recuperação econômica do país e garantir um mandato com chances de reeleição para Bolsonaro, as forças que lutam para que tudo dê errado nesse governo apelaram para a mesma estratégia.
Foi assim que um site, lançado em 2014, surge com conversas vazadas entre o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, durante a investigação da Lava-jato que provariam que ambos tramaram para prender Lula.

Imediatamente, todos os sites da esgotosfera esquerdista (aqueles que perderam seus financiamentos) saíram divulgando como sendo a prova de que precisavam para libertar seu malvado favorito, o ex-presidente Lula.
O desenrolar dos eventos mostrou que a imprensa brasileira (que se confunde com a Esquerda brasileira) vive a Era da Pós-verdade, onde a verdade que se quer é mais importante do que a verdade dos fatos.

Sem dar aparentemente a mínima importância à origem não só criminosa, como também duvidosa dos vazamentos de conversas, a mídia brasileira fingiu estar escandalizada com uma troca de mensagens que, quando finalmente foi mostrada, não passava de uma troca de impressões entre juiz e procurador.

Imediatamente surgiram vestais puras e virgens que se horrorizaram com o fato de um juiz e um procurador terem conversado, já que isso não é recomendável. Ignoraram que esse hábito mais parece com dirigir com o pé sobre o pedal da embreagem: algo que não se deve fazer, mas todo mundo faz.

Um grupo de juristas se manifestou contra Moro e pedindo sua renúncia. Detalhe: nenhum deles jamais foi a favor de Moro e sempre integravam listas de abaixo-assinados contra a Lava-jato, contra a prisão de Lula, contra a proibição de Lula concorrer pelo STE, etc. Ou seja, a matéria do site Intercept só serviu para que quem nunca gostou de Moro e da Lava-jato continuassem com a mesma opinião, só que agora fingindo estar chocados com a revelação.

Glenn Greenwald, o ex-advogado de um neonazista dos EUA e atual autoproclamado jornalista, responsável pelo site Intercept (cujo nome é extremamente sugestivo para um site que teve acesso a conversas sigilosas) alega que a divulgação das conversas segue o princípio da importância jornalística. Mas isso é uma completa balela. Quando Julian Assange, do site Wikileaks, divulgava alguma informação sigilosa em nome da transparência, ele divulgava o documento inteiro e original. Greenwald não fez isso. Ninguém teve acesso às conversas e sim a transcrições delas. E, ao invés de publicar tudo de uma vez, ele anunciou que iria publicar aos poucos (que transparência é essa?) e vem fazendo isso de forma cada vez mais desonesta. O próprio Moro admitiu que realmente trocava algumas mensagens com Dallagnol, mas que alguns trechos pareceram estranhos para ele. E um caso específico, Greenwald anunciou que Moro teria tentado proteger membros do PSDB, mas quando divulgou a conversa inteira, viu-se que as frases de dois momentos diferentes haviam sido divulgadas como se estivessem juntas.

Mesmo assim, tudo que Greenwald divulgou foi incapaz de provar que havia alguma predisposição para condenar Lula. Isso tanto é verdade, que a esgotosfera correu a divulgar diversos trechos falsos, que não constavam da matéria do Intercept, na tentativa de fazer com que a opinião pública se voltasse contra Lula. Só conseguiu que a opinião de quem já não gostava dele continuasse igual. O efeito foi nulo sobre a população. A comprovação disso foi a recepção que Moro teve ao assistir ao jogo de futebol no Rio de Janeiro, junto ao Presidente.

À medida que o conteúdo vai se mostrando cada dia menos comprometedor, surgiu um novo tipo de “isentão” que diz que, independente da origem criminosa, não é aceitável que um juiz e um procurador troquem impressões.
Como resposta a esse tipo de “legalismo”, tivemos algumas manifestações. A juíza aposentada Denise Frossard deu uma declaração de que, em toda a sua longa carreira, trocou impressões com promotores e procuradores sim, que isso é prática corrente no judiciário brasileiro e que essa reação toda contra Moro é risível. A procuradora da República Thaméa ​Danelon diz que, se verdadeiras, as conversas divulgadas do ex-juiz Sergio Moro com integrantes da força-tarefa em Curitiba são “absolutamente normais” e fazem “parte do mundo jurídico”. A Professora de Direito e deputada estadual com o maior número de votos da história do país, Janaína Paschoal, foi outra que analisou tudo que foi divulgado e não viu nenhuma ilegalidade. Outro caso foi o professor de Direito americano, Matthew Stephenson, que inicialmente havia se insurgido contra Moro e Dallagnol, mas que recentemente publicou uma matéria voltando atrás por realmente não ver absolutamente nada de ilegal nas conversas.
Tudo isso num país onde o Presidente do STF, Dias Toffoli, comparece a um jantar oferecido por ninguém menos que o Advogado de diversos réus da Lava-jato, Kakay. Isso sem contar a conversa entre o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, com o advogado de Joesley Batista, num canto de bar.


Ou seja, um juiz conversar com um promotor é mais escandaloso que um juiz ou promotor tomando drinques com os advogados dos réus. É o país onde o poste faz xixi no cachorro…

A prova de que Greenwald não busca expor a realidade, mas que tem uma agenda política clara foi que, logo após o MBL lançar uma convocação para uma manifestação em 30/07 a favor de Moro e da Lava-jato, Greenwald divulgou uma conversa de Moro em que ele chamaria os jovens do MBL de “tontos” por estarem protestando em frente à casa do Ministro do STF, Teori Zavascki. Moro achava que Zavascki era um homem correto e “boa gente” e que o protesto poderia levar a uma má vontade do STF contra a Lava-jato. Porém Greenwald aparentemente menosprezou os jovens do MBL que, após essa divulgação, reiteraram seu apoio a Sérgio Moro. A tentativa de minar as relações entre o movimento e ministro caíram por terra.

Se bem, que isso fique bem claro, que Moro realmente admitiu não ter gostado das manifestações em frente à casa de Zavascki, mas duvida que tenha usado o termo “tontos”. Será que até isso foi mais uma fake news do Intercept?