Primeiro debate presidencial – Minhas impressões

Como juntar 8 candidatos presidenciais e fazer um programa de 4 horas mais chato que programa de pescaria.

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Todo mundo se perguntando por que Bolsonaro é o único sentado no começo do debate. Eu acho que eles estavam usando uma banqueta tipo tulipa. Os outros estavam simplesmente encostados na banqueta e Bolsonaro abaixou a altura dela e sentou.

Primeira pergunta: medidas para reduzir o desemprego.
Alvaro Dias resolveu usar o seu tempo para fazer um pequeno resumo da sua vida e o tempo acabou e não respondeu à pergunta. Ficou a nossa pergunta: se não consegue se organizar para responder a primeira pergunta da noite, como vai se organizar para governar o país?

Aí foi a vez do Alexandre Frota, ou melhor, de um desconhecido dublado pelo Frota. Pelo menos foi essa a impressão. Porém o cara utilizou a Técnica Enéas Carneiro, resolvendo marcar sua presença de forma às pessoas estarem todas comentando sobre ele no dia seguinte. Começou agradecendo a Deus e expondo quem eram os seus concorrentes e há quantos anos estão na política. Ótima estratégia!! O leigo não fica muito animado em votar num político profissional, na verdade não sei por que. Afinal, se o cara chegou aos 40-50 anos e NUNCA se interessou por política, quem me garante que ele sabe o suficiente para ser um bom Presidente? E o pior é que a resposta dele sobre como reduzir o desemprego até faz sentido.

Chegou a vez do Chuchu Alckmin. Seu plano é crescimento do país para aumentar emprego. Acordos comerciais e reduzir o Custo Brasil, mas não falou que um dos pontos que mais influencia o Custo Brasil é justamente os encargos trabalhistas. Um dentista com um consultório e uma secretária paga os mesmos tributos e encargos que a General Motors. Se isso fosse reduzido, esse dentista contrataria uma faxineira e uma auxiliar odontológica.

Marina Silva agradeceu a Deus, mas Deus não agradeceu Marina. Ao invés de falar em emprego, falou do número de mortos no Brasil. Depois associou ao desemprego. Pelo que pude entender desse raciocíono estranho, ela acha que a pessoa perde o emprego e diz “Não estou conseguindo arrumar emprego, acho que vou sair matando as pessoas”. Se for essa a ideia, todo brasileiro desempregado há anos e que não se tornou um assaltante ou assassino, tem a obrigação moral de expulsar essa mulher da política.
Marina falou que ela sabe o que é não ter um emprego, o que nos faz concluir que esses quatro anos entre uma eleição e outra ela passa realmente hibernando.

Bolsonaro agradeceu também a Deus e à Band e corrigiu o Cabo Daciolo acrescentando o tempo de militar como tempo de serviço público. Ótima tirada ao lembrar que um parlamentar é um servidor público também. Falou em comércio exterior, desburocratização e desregulamentação. Falou dos encargos trabalhistas e acrescentou uma frase importantíssima: os trabalhadores terão um dia que decidir entre abrir mão de alguns direitos e ter emprego ou manter todos os seus direitos e não ter emprego. Quem diria que Bolsonaro já começaria com uma abordagem tão liberal assim??

Já Boulos começou falando as merdas de sempre: deu um boa noite a Lula e ainda afirmou que este estaria preso injustamente em Curitiba enquanto Temer está solto em Brasília. Que coisa mais absurda!! Qualquer acusação feita a Temer, Lula tem uma ou mais iguais!! Além do mais Temer tem a imunidade do cargo, enquanto Lula já não tinha mais nenhuma imunidade. Eu nunca tinha ouvido o Boulos falar na TV. Não sabia que ele tinha essa boca mole. Também falou de Marielle. Aí, afirmou que sua primeira medida seria revogar as medidas que retiraram direitos trabalhistas do trabalhador brasileiro, ou seja, vai aumentar o desemprego, não reduzi-lo. Pior é ele não entender que ele NÃO PODE revogar a reforma trabalhista. Qualquer nova mudança precisa ser votada no Congresso. Isso já mostra o despreparo da figura. Também mentiu: “Nenhum país nunca saiu da crise sem investimento público”. A Nova Zelândia fez isso justamente reduzindo o Estado e deixando as pessoas trabalharem e produzirem sem o governo interferir. Depois, falou em fazer uma reforma tributária afirmando uma MENTIRA DESLAVADA. Disse que hoje quem tem menos paga mais e quem tem mais paga menos, o que não é verdade, visto que a imensa maioria da população brasileira nem paga imposto de renda, e que a porcentagem de imposto aumenta quanto mais a pessoa ganha, o que é totalmente injusto. Continuando o festival de mentiras, ele afirmou que quem tem jatinho não paga um real de imposto. Mentira novamente. É claro que não paga IPVA, porque avião não anda em estradas e ruas, mas paga imposto sim.

Meirelles também optou por fazer um resuminho do seu curriculo, mas não como Álvaro Dias. Em seguida, chamou para si as medidas que reduziram o desemprego após o impeachment. Também atrelou a geração de empregos ao desenvolvimento.
Ciro falou em criar 2 milhões de empregos só no primeiro ano de governo, mas sabe como? Aumentando o consumo das famílias brasileiras, método idêntico ao de Lula e que gerou uma multidão de devedores. Como ele vai solucionar isso? Ajudando essas pessoas a pagarem suas dívidas?? De onde ele vai tirar dinheiro para isso? Não falou.

Nessa primeira rodada, Boulos e Ciro foram os que deram as respostas mais absurdas.

Segunda rodada: um candidato pergunta para outro.
Logo de cara, Boulos já parte para a agressão pessoal dizendo que todo mundo sabe que Bolsonaro é racista, machista e homofóbico. Em seguida elencou os partidos podres que Bolsonaro já fez parte para finalmente fazer uma pergunta baixa: “Quem é a Val?”. Nitidamente o cara devia estar doidão na entrevista de Bolsonaro e não viu que ele já respondeu sobre isso, inclusive afirmando que provou que, quando a repórter fotografou essa funcionária na loja de Angra dos Reis, ela estava de férias no seu gabinete. A resposta de Bolsonaro foi bastante tranquila, falou tudo isso que já tinha sido dito, acrescentou que tem moral para que seus filhos entrem na política tanto que as pessoas também votam neles e aproveitou para falar de quem invade propriedade privada. Boulos volta a atacar afirmando que essa Val é contratada para tratar dos cachorros de Bolsonaro e acrescentou que este teria 5 imóveis (se eu fosse deputado há 30 anos e tivesse só 5 imóveis eu teria vergonha) e perguntou se ele não tinha vergonha de receber auxílio-moradia. A resposta de Bolsonaro foi perfeita: eu teria vergonha se estivesse invadindo os imóveis das pessoas e finalizou brilhantemente: “eu não vim aqui para bater boca com um cidadão desqualificado como esse aí”.

Ciro pergunta a Alckmin. Disse que o PSDB votou a favor da reforma trabalhista e culpou a reforma pelo desemprego. Outra mentira: o desemprego estava maior antes da reforma e diminuiu com ela. Alckmin pelo menos manteve seu apoio à reforma. Falou dos 17.000 sindicatos e disse que simplificaria os impostos. Ciro está se mostrando um especialista em falar mentiras com ar doutoral. Comparou a reforma trabalhista com o valor pago por hora trabalhada na Alemanha e na China. Valor pago por hora não tem NADA a ver com encargos. Alckmin é muito ruim!! Ele não sabe falar com pessoas comuns! Disse que a reforma “acaba com o cartório”, sendo que a imensa maioria da população conhece como cartório aquele lugar que ele vai para pegar certidão. Ninguém deve ter entendido nada…

Finalmente Cabo Daciolo pergunta a Alckmin. O que fazer para abaixar juros e sua opinião sobre as urnas eletrônicas. Alckmin com aquele jeito chato repetiu que quer desregulamentar, Lei Geral de Garantias (que brasileiro sabe o que é isso?), aumento de crédito. Disse que não tem nenhuma razão para duvidar das urnas eletrônicas.

Daciolo disse que “um dos problemas são os juros”. Não tem prova de português pra ser militar não? Em seguida bateu na questão da falta de comprovante impresso na urna eletrônica, o que é uma boa bandeira. Alckmin que parece realmente não querer ganhar essa eleição falou em trazer mais players. Que brasileiro médio sabe o que é isso? Os amantes de videogame devem ter adorado…
Álvaro Dias parece ter levantado a bola para Bolsonaro cortar: perguntou sobre mortalidade infantil e sobre homens e mulheres terem o mesmo salário. A resposta de Bolsonaro à segunda pergunta deveria provocar orgasmos nos liberais: no serviço público já é igual, mas o Estado deve interferir nas empresa privadas sobre isso? Sobre mortalidade infantil, falou de saneamento básico, castração química e reforçou a questão do Estado não interferir nas empresas privadas. Álvaro desatou a usar o discurso vazio porque não esperava uma boa resposta de Bolsonaro.

Alckmin para Marina: Qual sua proposta para melhorar o SUS. Marina elogiou o SUS, mas disse que está sucateado e disse que irá implantar um sistema de qualidade sem explicar como isso pode ocorrer e ainda dando a entender que pretende intervir ainda mais na saúde complementar (convênios). Alckimin falou em saneamento básico, hospitais e atendimento primário, também não explicando como. Marina insistiu em repetir diagnósticos sem dizer como fará para mudar a situação atual.

Agora, como médico vou dar a minha opinião. O SUS piorou muito depois que o governo implantou o ANS, Agência Nacional de Saúde Complementar que aumentou absurdamente a burocracia para um simples pedido de exame que nem será feito ou pago pelo governo, portanto não é da alçada dele interferir. Mas a pior medida foi quando extinguiram os planos de saúde de baixo custo. Para quem não sabe, antigamente uma pessoa mais pobre podia pagar um plano de saúde de, digamos, 50 reais por mês e ter um atendimento BEM simples, com consultas e alguns exames e até pequenas cirurgias. O atendimento mais complexo ficava a cargo do SUS. A ANS proibiu isso. Todos os convênios são obrigados a ter todas as especialidades, fazer todos os exames, inclusive os mais caros, cobrir quimio e radioterapia, etc. Isso simplesmente fez os custos saltarem e hoje somente pessoas mais ricas ou que estão empregadas possuem plano de saúde. Todas as outras tiveram que se contentar com o SUS, sobrecarregando o sistema. Esses planos simples precisam voltar! O que está em contrato não é caro nem barato. Se eu faço um plano que não dá direito a internação e UTI porque eu não tenho condições de pagar, já é uma mão na roda ter acesso a consultas e exames sem depender do SUS.

Bolsonaro pergunta a Álvaro Dias. Falou da caixa preta do BNDES e perguntou do vice de Álvaro que vem do BNDES. Álvaro falhou ao dizer “o governo transferiu x bilhões para o BNDES e emprestou para países…” Ele tinha que falar o NOME do governante ou o PARTIDO dele. Ao falar “governo” perdeu a chance de queimar o PT. Bolsonaro concordou com ele e ficaram um concordando e parabenizando o outro e só faltaram saírem para tomar uma brejas juntos.

Marina pergunta para Alckmin. Falou da aliança com o Centrão e atribuiu a Temer a maioria das mazelas que afligem o povo brasileiro. Tirando a culpa do seu antigo chefe, né? Alckmin, com aquele jeito extreeeeemamente chato de falar, explica que precisa de maioria para fazer as reformas que pretende e dá a entender que irá acabar com vários impostos, quando a proposta é se unificar esses impostos todos num único, o que não refresca financeiramente as empresas, só diminui os custos do Estado para nos cobrar. Única proposta realmente boa foi o voto distrital misto. Marina deu uma boa resposta: “É isso que todos dizem. Em nome de algumas pessoas que realmente são boas, leva-se todo um pacote de políticos corruptos. Tudo em nome da governabilidade.” Mas Alckmin deu o troco lembrando que Marina saiu do PV por alegar incompatibilidade para, pouco depois, fazer aliança de seu partido, a Rede, com o mesmo PV, que agora era compatível. Belo troco!!

Meirelles resolve perguntar para Álvaro Dias e é uma ótima hora para se ir ao banheiro. Meirelles perguntou por que a economia desabou após a saída do próprio Meirelles do Banco Central, provavelmente esperando elogios à sua atuação, mas Álvaro optou por uma resposta sarcástica: “O senhor é que deveria explicar, porque era quem estava lá na época” para depois emendar uma série de críticas à atuação de Meirelles. O tiro saiu pela culatra. Vamos ver o que Meirelles fará. Ele preferiu apelar para “eu não estava no governo Dilma”, mas Álvaro retrucou sorrindo, o que deu a impressão de que a resposta não era adequada. Na verdade, a saída de Meirelles desencadeou uma série de mudanças que aprofundou o buraco onde o Brasil já estava se enfiando.

Aí teve um intervalo e, sinceramente, achei tudo muito chato. É muito candidato sem graça e os que poderiam ser interessantes foram sedados antes do programa.
Durante esse intervalo, tivemos a clara manipulação que eu já havia anunciado para meus amigos. Quando a Band anunciou parceria com o Google, eu já sabia que teria falcatrua. E não foi para menos: mostraram os 5 candidatos em alta nas pesquisas do Google. Advinha!! Bolsonaro não estava nesses 5. Na ordem, mostraram que Alckmin, Meirelles, Marina, Ciro e Daciolo foram os que estariam “em alta”, ou seja, só faltaram colocar o Eymael na frente de Bolsonaro. Aí, o repórter, sabendo que isso iria desencadear alguma hashtag do tipo #BandMente, já correu para dizer que Bolsonaro era o mais buscado, mas aqueles números NÃO ERAM de buscas e sim de crescimento. Ou seja, se um candidato tinha UMA busca e agora tem TRÊS, ele aparece com um crescimento de 300%, maravilhoso. Quem estiver disposto a confiar, fique à vontade…

Interessante ver o jornalista da Band se referir ao Cabo Daciolo como “o novato dessas eleições”, sendo que ele é deputado e não achar Boulos novato.
Primeiro jornalista a perguntar: Sérgio Amaral. Escolheu perguntar para Marina com comentários de Meirelles. Falou do deficit público que inviabilizaria investimentos públicos. Marina já começou mentindo ao afirmar que aprovaram uma medida que congela os investimentos em saúde e educação por 20 anos, sendo que TODOS os investimentos foram congelados justamente para sairmos desse deficit citado, mas saúde e educação têm um tratamento especial que permite que os valores sejam aumentados, desde que os parlamentares digam de onde sairá a verba. Mas Marina insite com um discurso totalmente alienado, dizendo que pretende sim reduzir o deficit público, porém sem congelar os investimentos em saúde, educação e segurança. Como fará isso? Obviamente não disse. Meirelles expôs esse desconhecimento ou má fé de Marina. Esta voltou àquele discurso vazio que não diz nada.

Rafael Colombo optou por perguntar sobre segurança pública, indagando sobre as facções que comandam o crime de dentro dos presídios, para Alckmin com comentários de Bolsonaro. Alckmin falou que o número de assassinatos reduziu em São Paulo sob seu governo enquanto aumentou no Brasil. Bolsonaro comentou que a criminalidade aumenta devido a uma política errada de direitos humanos e desvalorização do policial militar. Cometeu um erro GRAVÍSSIMO ao afirmar que o cidadão de bem foi desarmado “por ocasião do referendo de 2005”. Isso está errado!! O referendo foi totalmente a favor da venda de armas e foi solenemente ignorado pelo governo Lula que implantou o estatuto do desarmamento contrariando a vontade popular. Só depois é que ele disse que precisávamos seguir a vontade popular na ocasião do referendo. As frases ficaram confusas e muitos jovens vão ficar achando que o resultado do referendo foi pela proibição das armas. Alckmin solenemente ignorou o comentário de Bolsonaro e continuou a falar de forma genérica.

Lana Canepa perguntou sobre violência doméstica para Álvaro com comentários de Daciolo. Falou no tal feminicídio. Álvaro fez jogo com a plateia dizendo que os governantes deveriam pedir desculpas ao povo brasileiro, esquecendo que ele já integrou o governo também. E ainda mandou uma fake news, dizendo que o Brasil gasta mais com segurança pública do que todos os países da OCDE, o que já foi desmentido. Daciolo falou que a falta de amor ao próximo é a causa dos problemas de violência doméstica e que a solução é a educação. Álvaro culpou a corrupção.

Fábio Pannunzio perguntou para Ciro com comentários de Alckmin sobre a reforma da previdência e reforma trabalhista. Ciro diz que vai propor uma nova reforma trabalhista, mas não disse com que características, só que acabaria com “os abusos da justiça do trabalho”, aproveitando para criticar a reforma aprovada por Temer. Quanto à previdência, disse que o sistema atual é “irreformável” e plantou mais uma fake news ao dizer que a reforma atual obrigaria um professor a trabalhar 49 anos. Aí foi a vez de Alckmin mentir ao dizer que nem os sindicatos querem o imposto sindical. Sei… Conta outra! E deixou escapar como ele irá atender à Força Sindical. Falou que as contribuições sindicais seriam decididas nas convenções das categorias, ou seja, uma meia dúzia de sindicalistas se reunirá por horas enrolando para votar, no final, já com a assembleia esvaziada por uma contribuição que toda a categoria terá que pagar. Isso é golpe!!

Aí aconteceu uma das coisas mais bizarras dos últimos tempos na TV, só perdendo para a psicografia de Miriam Leitão: Boechat pediu mais comentários de Ciro. O próprio Ciro se espantou com isso, pois Bolsonaro não pode comentar novamente na sua vez. Boechat simplesmente não soube dizer se tinha ou não um segundo comentário e deu a palavra a Ciro com a ressalva que depois daria a palavra a Bolsonaro, caso este tivesse realmente sido prejudicado. Quem estava dirigindo esse programa, pelo amor de Deus??
Ciro até que respondeu bem, dizendo que defende uma reforma em que o teto da aposentadoria seria igual no serviço público e iniciativa privada, mas sem retroagir direitos, ou seja, isso só seria realidade daqui a uns 30 anos.

Sérgio Amaral novamente perguntou, dessa vez para Cabo Daciolo com comentários de Boulos. Aí é perigoso até o Cabo dar voz de prisão ao Boulos. Falou das propostas de Daciolo de aumentar o investimento em educação, nas forças armadas, ampliar rede de ferrovias e ainda diminuir a carga tributária, questionando como ele faria isso. Daciolo disse que o deficit público é mentiroso e que teríamos “400 bilhões de sonegadores”. E eu nem sabia que os chineses deveriam pagar impostos para o Brasil… Mas ele chegou a citar até a Curva de Laffer, o que é interessante pois nenhum candidato anteriormente falou nisso e muito menos aplicou isso. Já Boulos culpou a desigualdade e falou em Bolsa Banqueiro e Bolsa Empresário, esquecendo que o seu querido Lula nadou de braçadas distribuindo esses benefícios e nem de longe citou o Bolsa Artista da Lei Rouanet. Daciolo expôs a gestão incorreta e a corrupção como causas da falta de recursos para investimento em saúde e educação, no que está correto.

Rafael Colombo perguntou a Meirelles com comentários de Álvaro Dias se seria favorável a restrição da entrada de venezuelanos no Brasil. Meirelles enrolou dizendo que o objetivo do Brasil é não se tornar uma Venezuela, mas disse que o país tem que aceitar os venezuelanos por ser uma questão humanitária. Já Álvaro disse que seria desumano “expulsar seres humanos”, embora ninguém esteja expulsando, só impedindo a entrada. Meirelles disse que temos que aprender com o que ocorreu na Venezuela e comparou as medidas dos governos passados com o as medidas de Chavez e Maduro.

Lana Canepa, que parece só se interessar por esse tipo de questão, resolveu perguntar para Boulos com comentários de Marina sobre o aborto, obviamente citando aqueles dados questionáveis de que todos os dias morrem 4 mulheres decorrentes de aborto. Esse dado, que foi divulgado erroneamente pelo ministro da saúde, não faz nenhum sentido! Isso daria 1460 mortes num ano. Em 2013 (último ano com dados disponíveis) morreram no Brasil 523.195 mulheres, sendo 66.790 em idade fértil. Os óbitos maternos (mulheres que morrem em decorrência da gravidez, parto e puerpério) correspondem a 1.686. Em 2013, as mortes maternas em função de aborto provocado foram no máximo 66, incluindo-se aí os não especificados. O número é mais de 150 vezes menor do que aquele que lhe foi apresentado. Esse número inflado foi criado por uma ONG favorável ao aborto e tem sido repetido até por autoridades.

Boulos apelou para jogo de palavras. “Ninguém é a favor do aborto. Nós somos a favor do direito das mulheres de decidir”. Decidir o que cara pálida? Abortar!! Então você é favorável ao aborto, ou melhor, é favorável ao direito das mulheres decidirem matar seu filhos para não dar trabalho. “No noso governo, aborto não vai ser um tema do código penal. Vai ser um tema de saúde pública porque será feito no SUS”. Em outras palavras: no seu governo, eu terei que pagar impostos para uma mulher ter acesso a ginecologista gratuito na rede pública, ter acesso a anticoncepcional gratuito na rede pública, caminha gratuita na rede pública e, mesmo sendo contrário ao aborto, meus impostos serão usados para que essa mulher que não quis usar nenhum desses métodos já pagos com os meus impostos, possa também abortar na rede pública. Boulos aproveitou para dizer o que era óbvio conhecendo o seu partido: pretende interferir nas empresas privadas obrigando que homens e mulheres tenham os mesmos salários. Leia-se: você homem, já saiba que, se uma colega sua de trabalho engravidar, ela irá ficar quase um ano sem trabalhar e a carreira de AMBOS irá estacionar, pois você não poderá receber nenhuma promoção horizontal e, se bobear, nem vertical, porque ela irá exigir isonomia assim que voltar a trabalhar.

Marina, que é contrária ao aborto por razões religiosas, defendeu a manutenção da lei existente, mas se for feita alguma ampliação, que seja feito um plebiscito (porque ela sabe que a maioria da população é contrária ao aborto) consultando a população. Boulos respondeu que acha que o tema é das mulheres. Que elas têm o direito de decidir sobre o assunto. Errou feio, porque o aborto não é aprovado nem quando se pesquisa somente mulheres, mas o raciocínio dele é mais ou menos assim: feminicídio é um tema dos homens, porque são eles que matam as mulheres. Precisamos consultar somente os homens para definir se vai ter penas mais duras para o feminícido ou não. Liberação das drogas é um tema dos drogados. São eles que devem decidir se deve ser proibido ou não o consumo de drogas. E assim por diante. Mais uma mentira de Boulos: “É muito cômodo negar o direito ao aborto aos mulheres e permitir que milhões de homens não assumam seus filho”. Esse discurso podia ter sentido no passado. Hoje, com DNA, qualquer pai é obrigado por lei, sob pena de ir preso (aliás, uma das poucas coisas que leva uma pessoa à prisão no Brasil) caso não pague. Quer dureza maior contra os homens?

Fabio Pannunzio perguntou a Bolsonaro com comentários de Ciro. Assunto educação e os gastos com ensino fundamental e médio comparado ao ensino superior. Mais uma vez alguém compara o Brasil à OCDE. Alguém faça um favor! Vai na internet e veja os países que integram a OCDE e me respondam se é justo comparar o Brasil a esses países.

Bolsonaro começou respondendo bem. Disse que a pirâmide precisa ser invertida com maiores gastos no ensino básico. Falou da militarização de escolas e sobre 4 estudantes de Brasília que foram aprovadas em Harvard todo provenientes de escolas militarizadas. Fez um diagnóstico correto sobre a retirada da autoridade do professor. Ciro falou bem das escolas de Ceará, mas mentiu ao atribuir essa qualidade à Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, sendo que essa qualidade toda começou justamente com o governador de Tasso Jereissati, inicialmente do MDB e depois do PSDB. O legado de Brizola foi o crime organizado no Rio…

Mas Ciro defendeu sua tese: que o sucesso dos alunos cearenses é a prova de que não é necessário estalar o chicote para se ter um bom desempenho escolar. Agora, vamos dar uma de agência de fack checking. No link abaixo ficamos sabendo que, em 2016, as escolas militares cearenses foram as que tiveram as melhores notas no ENEM do estado.

http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/cidade/escolas-militares-tem-os-melhores-desempenhos-1.1628291

Deixando claro que tinha errado ao impedir Bolsonaro de fazer a tréplica na questão anterior, Boechat passou a palavra para ele, que fez muito bem ao responder que não existe chicote e que nenhum pai quer tirar seu filho dessas escolas.
Mais um bloco de perguntas, dessa vez novamente com confronto direto.
Álvaro Dias pergunta para Alckmin sobre a Lava-jato e sobre sua ideia de chamar Sérgio Moro para ser Ministro da Justiça. Alckmin falou poucos segundos sobre combate à corrupção e desviou para reforma política com voto distrital misto. Álvaro atacou: “Quando alguém aparece combatendo corrupção, há que se perguntar: Onde estava quando o Brasil estava sendo assaltado?”

Uma pausa aqui: me incomoda demais Geraldo Alckmin ficar o tempo todo citando coisas “por ser médico”. Alckmin já em 1973 foi eleito para seu primeiro cargo político aos 19 anos, antes mesmo de formado. Sua atuação médica sempre foi dividida com a política até passar a se dedicar totalmente a esta última. Com isso, deve ter menos experiência com medicina que qualquer paciente hipocondríaco…

Meirelles pergunta a Alckmin e copia frase de Ronald Reagan sem citá-lo: “o melhor programa social é o emprego”. Perguntou do Bolsa-família. Não adianta! Todos os candidatos precisam dizer que vão manter o Bolsa-família senão não serão eleitos. Alckmin diz que é um “ótimo programa” (não é) e que pretende ampliá-lo. Oba! Quem sabe eu sou incluído também, porque tem tanta gente que não precisa receber e recebe…
Falou de todos os programas sociais que o estado de São Paulo tem, mas Meirelles confrontou com dados existentes no site do próprio PSDB que chamava o Bolsa-família de “bolsa-esmola” e de populismo rasteiro, diga-se de passagem, corretamente. Preocupa-me que Meirelles tenha optado por atacar as críticas corretas ao programa, numa atitude muito mais esperada do PT, PSOL, PCdoB ou mesmo da Rede.

Meirelles supreendeu mais uma vez ao chamar meio para si a responsabilidade pelo Bolsa-família e ao citar que tinha sido criado pelo governo de Lula. Alckmin não perdoou: “Gostaria de rememorar Meirelles que o Bolsa-família é a junção de 3 programas criados no governo FHC, do PSDB”.

Bolsonaro decide perguntar a Daciolo. Quem diria que a “estratégia das tesouras” um dia seria utilizada também pela Direita brasileira…

Perguntou sobre os conchavos feitos nos porões do poder em Brasília. Daciolo é impressionantemente didático. Tem a didática que Bolsonaro não tem. Ele expôs a questão do acordo de Alckmin com o Centrão e perguntou “que liberdade ele terá para governar para a nação?” Esse tipo de frase impacta demais o brasileiro médio, embora em tenha dúvidas se à meia-noite tinha algum trabalhador humilde assistindo debate. Bolsonaro resolveu utilizar a técnica de Daciolo e falar com o público em casa, perguntando se sabiam os nomes dos ministros da educação, saúde ou ciência e tecnologia. Confesso que não sei. Bolsonaro repetiu o que Daciolo falou, sobre a falta de independência de Alckmin com tantas coligações e endureceu afirmando que o único ali que pode romper com o establishment é ele. Daciolo retrucou dizendo que Bolsonaro não era o único, pois ele também estava ali.
Geraldo Alckmin decidiu perguntar para Marina, o que é garantia de dois chatos que falam lentamente. E isso à meia-noite!! O povo brasileiro não merecia isso. Perguntou das propostas para a educação. Marina informou que foi analfabeta até os 16 anos, o que não deixa de ser admirável pois ela fala com uma correção gramatical acima da média para os políticos brasileiros. Mas Marina simplesmente citou um mundo ideal como objetivo, sem dizer como faria isso. Alckmin voltou a falar o que fez no estado. Marina repetiu as mesmas coisas que já tinha dito e perdeu a oportunidade de falar em merenda.
Marina pergunta a Ciro. Falou da transposição do Rio São Francisco, que foi abandonada. Ciro disse que reiniciaria as obras imediatamente. Na verdade, a pergunta de Marina serviu para ambos fazerem sua auto-promoção.

Boulos pergunta a Meirelles, que chama de “candidato de Temer” e ainda faz piada dizendo que tem 50 tons de Temer ali entre os candidatos. Melhor do que ser um tom de Lula, não é?
Mas Meirelles deu uma boa resposta. Lembrou que foi do governo Lula e que, agora, é do governo Temer e afirmou que não trabalhou para Lula ou Temer, mas para o Brasil. Resposta impactante junto ao eleitorado.
Boulos é de uma desonestidade intelectual brutal! Ele acusa Meirelles de ser “raposa tomando conta do galinheiro” citando o fato dele ter trabalhado na JBS, justamente uma empresa que não só foi beneficiada pelo seu guru, Lula, como está justamente envolvida no escândalo de corrupção do PT. Há que se perguntar a ele se a JBS é vilã, então por que ele defende Lula e ataca a Lava-Jato? Se não é vilã, por que ele acusa Meirelles de ser raposa em galinheiro? Em mais uma desonestidade, Boulos afirma que sua campanha é financiada por quem acredita nela. Mentira. É financiada pelo fundo partidário que é tirado dos meus impostos e eu não acredito em você. Posso ter minha parte de volta?
Meirelles respondeu que nunca trabalhou para Joesley, mas para outra entidade e terminou afirmando que é o “candidato sem processo”.

Daciolo pergunta a Ciro, sobre o Plano URSAL e cita o Foro de São Paulo, sendo que Ciro faz cara de espanto ao ouvir o nome. Esse trecho se transformou num festival de memes e sobre ele precisamos comentar. Um pouco tempo, TODOS os sites de esquerda (Brasil247, CartaCapital, Revista Forum, Diario do Centro do Mundo, Catraca Livre, Midia Ninja) postaram matérias ridicularizando o assunto, afirmando que URSAL é uma teoria da conspiração. Tudo bem, eles estão fazendo o papel deles. Durante anos vi esquerdistas tirando sarro de Olavo de Carvalho dizendo que o Foro de São Paulo não existia e que era teoria da conspiração. Hoje, até a imprensa noticia reuniões do Foro de São Paulo com a maior naturalidade.
Ciro afirmou que não sabia o que era isso e que não tinha sido fundador do Foro de São Paulo, enquanto ouvíamos risadas e aplausos vindos do público e da sala de imprensa. O mesmo ocorreu quando Ciro retrucou que a democracia tinha certos custos, como ouvir o que Daciolo falou. As risadas foram uma afronta ao povo brasileiro (embora tenham sido maiores contra o povo venezuelano) e vamos ver por que.

Algumas informações: O Foro de São Paulo foi criado em 1990, após a queda do muro de Berlim, tendo o PPS como um dos seus partidos fundadores. Em 1996 Ciro foi para o PPS, portanto passou a fazer parte do Foro nos seus primeiros anos. Hoje, o PPS afirma não fazer mais parte do Foro, por discordar dos regimes totalitários que ele criou. Coincidência ou não, Ciro saiu do PPS e entrou para o PDT, que também integra o Foro…

Sobre o projeto de unir os países governados pela esquerda, vamos mostrar um vídeo de Lula discursando:
https://www.youtube.com/watch?v=LHyvJFtG7k0

Sobre a cara de falso espanto de Ciro ao ouvir falar do Foro:
https://www.facebook.com/CanalDaDireita/videos/1029172877227243/?hc_ref=ARTnJGN6_J3xkuiX-3RfWn7Bp6DgJL8WIWl_EpSPuZhn0nOsEiGXlFTBXbHVpOkAz9s

Sobre a existência ou não da URSAL, vamos postar um site socialista:
http://www.socialismobrasil.xpg.com.br/URSAL.html

E mais:
https://www.facebook.com/direitasaopauloitu/videos/2185419211680101/?hc_ref=ARSTujUPZPMbJQJFz6URq45272hqSJ-nMzoK39WLOxMotlfNrpqG_QHRlams6ab5i6g

Ciro insiste que irá ajudar os brasileiros endividados a pagar suas dívidas. Será que ele não vê o risco desse tipo de afirmação? Será que ele não vê que o cidadão que não tem controle sobre seus gastos se sente confortável porque “o governo pode me ajudar a pagar”? E da injustiça com os pagadores de impostos, porque é claro que essa ajuda não sairia do bolso de Ciro, mas dos cofres públicos.

Não gosto de Boechat. Mas mesmo que gostasse, iria achar de uma inadequação sem igual um moderador de um debate presidencial responder “perdeu playboy” para um candidato. É nisso que o jornalismo brasileiro se transformou.

Ciro perguntou para Bolsonaro sobre a “humilhação” das pessoas estarem devendo no SPC. Eu já acho humilhação as outras pessoas pagarem suas dívidas religiosamente e verem um candidato a presidente defender os caloteiros. Bolsonaro foi muito correto. Disse que tinha gente honesta no SPC por ter acreditado nas promessas do PT, mas que tinha muito bandido também. E devolveu a pergunta a Ciro, querendo que ele explicasse como iria tirar essas pessoas do SPC. Resposta de Ciro já começou desonesta: “Da Dilma pra cá o Brasil descambou” e ainda chamou o impeachment de golpe. Em seguida ele mostrou simplesmente não saber matemática, porque disse que o total é de 63 milhões de pessoas no SPC, mas a média das dívidas é de R$ 1.400,00 e, por isso, ele acha que dá para resolver. Multiplique 63 milhões de pessoas por 1.400 e você terá 88 BILHÕES E 200 MILHÕES!! Um petrolão inteiro…
Bolsonaro, que nem é bom em economia, não conseguia parar de rir com essa proposta. Até ele não acredita nessa proposta simplista.

Novamente jornalistas perguntam e escolhem quem comenta. Fábio Pannunzio perguntou a Daciolo com comentários de Meirelles, sobre o apoio dele nas diversas greves de policiais e bombeiros em diversos estados. Como ele enfrentaria como Presidente uma greve como a dos caminhoneiros? Ele afirmou que apoiou a greve dos caminhoneiros e que no seu governo não haveria esse tipo de greve. Já Meirelles disse que o país não pode ficar refém de nenhuma categoria e apresentou projeto para estabilizar o preço de combustível nas bombas. Daciolo fez uma denúncia séria. Disse que foi para a Bahia a pedido de Dilma para negociar com os policiais grevistas e, quando voltou, foi preso e levado para Bangu 1. Por que não duvido que isso tenha sido verdade?

Lana Canepa parece finalmente ter lembrado que o Brasil não tem só mulheres e perguntou para Álvaro, com comentários de Daciolo sobre corrupção. Novamente Álvaro veio usando a Lava-Jato como cabo eleitoral, falando até em transformá-la em política de Estado. Já Daciolo diz que o problema do Brasil são os engravatados, USANDO UMA GRAVATA!! E pela segunda vez repetiu “O novo tá chegando”. Quem disse que Amoedo não teria participação no debate?

Rafael Colombo pergunta para Ciro com comentários de Álvaro, sobre o aumento dos salários dos ministos do STF. Ciro criticou esse aumento, mas acusou a despesa financeira como a grande responsável pelo deficit. Álvaro também falou da redução de ministérios e do tamanho da máquina pública. Ciro mostrou qual a sua verdadeira face ao citar, fora de qualquer contexto, o fato de Sérgio Moro e sua esposa receberem auxílio-moradia, benefício recebido por milhares de juízes, muitos deles trabalhando bem menos que Moro, deixando acumular processos.

Sérgio Amaral pergunta à Marina com comentários de Bolsonaro sobre a questão de logística e perda de competitividade dos produtos brasileiros. Marina simplesmente perdeu parte do tempo repetindo exatamente o que ele havia dito, para finalmente dizer que no seu governo iria resolver esse problema sem dar um único exemplo prático. Bolsonaro disse que o Ministério dos Transportes era um dos mais corruptos. Falou em investir nos modais ferroviário e hidroviário e, de forma imediata, acabar com a indústria da multa e preços do pedágio. Quem diria que, num debate, seria Bolsonaro que citaria propostas mais concretas comparado com os sonhos de Marina. Esta retrucou dizendo que existe uma indústria de isenção de multas.

Fabio Pannunzio perguntou a Alckmin com comentários de Marina se ele contrataria alguém envolvido em denúncia de corrupção. Típica pergunta inútil. Ele espera o que? Que Alckmin responda que irá se cercar dos maiores corruptos que existirem na política? Nem os presos da Lava-Jato diriam isso! Mas acabou sendo bom, porque Alckmin deu aquela resposta pasteurizada dele e Marina contra-atacou dizendo que o modo como se ganha define como se governa, insinuando mais uma vez esquemas pelo acordo com o Centrão. Alckmin devolveu a gentileza dizendo que nunca foi do PT e nem ministro de governo do PT, numa clara alusão a Marina. Finalmente a coisa deu uma esquentada.

Lana Canepa pergunta a Bolsonaro com comentários de Boulos. Assunto: privilégios como auxílio moradia, auxílio paletó e pensão para filhas de militares. Bolsonaro apontou economias que faz em valores que teria direito e informou que em 2000 a vitalicidade das pensões das filhas foi extinta, restando somente aqueles casos que já recebiam. Lembrou que os militares não têm FGTS e nem adicional noturno, estando a disposição do chefe da Nação a qualquer hora. Boulos já começou com fake news dizendo que Bolsonaro foi expulso do Exército. Não foi. Foi inocentado das acusações e aposentou inclusive com promoção. Bolsonaro pediu direito de resposta e respondeu à altura. Boulos tentou dar o troco pedindo direito de resposta e seu pedido foi negado. Quem não está acostumado a respeitar o direito dos outros não sabe bem como é isso de direito…

Rafael Colombo perguntou a Boulos com comentário de Alckmin sobre atualização da tabela do imposto de renda. Boulos veio com a mentira de que no Brasil quem tem menos paga mais e quem tem mais paga menos. Como é que, num sistema que a alíquota de imposto vai aumentando quanto mais a pessoa ganhar isso pode ser afirmado? Alckmin repetiu a história de reduzir 4 impostos num só, que não é reduzir imposto. Falou algo interessante, que é reduzir impostos de pequenas empresas. Boulos expôs as desonerações fiscais que Alckmin fez no seu governo em São Paulo.

Sérgio Amaral perguntou a Meirelles com comentárioa de Ciro sobre protocolo de pesquisas clínicas para novos medicamentos e liberação de novos medicamentos. Boa pergunta. Pouca gente sabe que a Anvisa tem a pretensão de ser melhor que o FDA norte-americano ou que agências europeias. Quando uma medicação é liberada para uso clínico lá, a Anvisa ignora solenemente os testes e exige que tudo seja feito novamente aqui para que ela libere, provavelmente levando um por fora. Por isso demoramos tanto a ter medicações de qualidade aqui. Meirelles culpou a burocracia e disse que pretende reduzir essa burocracia. Ciro expôs a demora tanto do INPI e da Anvisa, mas aproveitou para espicaçar Bolsonaro com a questão da Fosfoetanolamina sintética, o que levou o capitão a responder com irritação sem nem ter sido dado direito de resposta.
Agora, um parêntesis. Eu enviei uma mensagem a Eduardo Bolsonaro alertando que essa questão da fosfoetanolamina era picaretagem e, inclusive, avisei que quando isso fosse descoberto, poderia atrapalhar Jair Messias nos debates. Tiro e queda. Aconteceu o que eu previ.

Vocês notaram que NENHUM jornalista se deu ao trabalho de perguntar a Boulos sobre a legalidade de suas invasões e sobre as denúncias de que alguns movimentos de sem teto cobram aluguéis de suas invasões? Lembrem-se disso.

Considerações finais
Ciro iniciou pedindo desculpas por ter dito que a esposa de Moro recebia auxílio-moradia e corrigiu que não recebia. Desatou a dizer o que faria, mas não como faria.
Boulos agradeceu à sua vice e à Mídia Ninja, um dos sites de extrema-esquerda que o apoia. Disse que o seu projeto era o de Paulo Freire e de Zumbi de Palmares. Concluo que então é um projeto de transformar o Brasil num quilombo com escravos e todos sem saber fazer as contas básicas ou interpretar um texto.
Marina falou das excessões que ela admira, mas que gostaria de admirar as regras.
Bolsonaro pareceu sentir o discurso de Daciolo e lembrou que “dentre os melhores ranqueados, somente um pode mudar o destino do Brasil”, pois viu que não pode mais posar de único representante de uma vertente política. Fez um bom discurso, falando que defende a escola sem partido, é contra a ideologia de gênero e que é contra a divisão do país entre homos e heteros, nordestinos e sulistas, brancos e negros, ricos e pobres. Porém parecia um pouco desconfortável com o discurso, como se não tivesse decorado bem ou estivesse elaborando naquela hora. Precisa melhorar isso.
Álvaro pela enésima vez falou em colocar Moro no Ministério da Justiça. Lembrou da sua administração no Paraná e pediu para o Brasil abrir o olho.
Daciolo deu glória a Deus. Falou em valorizar a educação para, logo em seguida dizer algo muito perigoso: avisou os ateus, católicos, espíritas, umbandistas que ele faria o Brasil todo clamar o Senhor. Quem tiver ouvidos de ouvir, que entenda. Depois leu um trecho da Bíblia dirigido à nação brasileira e eu nunca soube que a Bíblia citava o Brasil. Senti falta dele falar umas xuricantas labaxurias decantalabassi. Talvez no próximo debate…
Alckmin falou em reduzir gastos públicos e citou características do seu governo estadual.
Meirelles lembrou que fez campanha contra Lula e, mesmo assim teve sua qualidade reconhecida e foi escolhido por ele para integrar o governo. Fez mais algumas promessas e pronto.

Achei o debate extremamente longo (mais de 4 horas) e, ao mesmo tempo, com pouquíssima informação útil. Os jornalistas, que deveriam tentar extrair mais propostas concretas, mostraram uma incompetência absurda. Lucrei muito mais dormindo nessas horas e assistindo posteriormente.

Para finalizar, embora tenha achado o debate muito fraco, tenho que comentar duas coisas. Quem diria que teríamos candidatos tão ruins que Bolsonaro pareceria ser um dos mais coerentes e com propostas concretas. Quem esperava que ele fosse desmascarado como alguém sem propostas, caiu do cavalo pelo menos nesse primeiro debate.

Também não deixa de ser interessante ver como a presença do Cabo Daciolo deslocou a Janela de Overton de forma que Bolsonaro agora parece um moderado de centro-direita. Talvez isso até o ajude a angariar mais votos fora do seu nicho.

Meirelles parece competente, mas não tem carisma nenhum!! Até Boulos é mais simpático que ele. Marina é um ótimo remédio para insônia e Ciro é um mitômano de marca maior.