Por que a elite?

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          Muito se lê e escuta entre os núcleos esquerdistas sobre um vilão rotineiro: a tal “elite”, tratada por eles como a grande causa da maioria dos males que assolam os países e povos. A miltância de massas, enganada por uma ideia tipicamente mentirosa, repete sempre os mesmos jargões que os líderes criam e propagam através dos entremeios sociais. Quanto a esta, realmente acreditam na mentira e exercem o seu papel de idiotas-úteis com sucesso, aplicando além do emaranhado de mentiras, a dose típica de inveja.

          Porém, quais são as reais e principais causas que levam as lideranças comunistas a empenharem esta luta ferrenha contra os grandes ricaços do mundo? O poder não poderia ser exercido simplesmente deixando estas pessoas em paz pagando seus impostos como qualquer cidadão? Sim, poderia. Porém, para a obtenção de um projeto totalitário de poder absoluto, liderado por analfabetos e ignorantes, existem quatro características essenciais na “elite” que impedem este feito: Poder de Estado paralelo, poder de influência cultural, capacidade reativa e manutenção de padrões.

Boa parte da elite financeira possui empresas e estruturas hierárquicas extremamente semelhantes às do Estado, inclusive com suas próprias regras, regulamentos, culturas internas de ação e etc. A estrutura de poder e hierarquia montada por uma empresa, assemelha-se ao poder de influência que possui o Estado sobre os cidadãos. Quanto mais empresas de sucesso surgirem em um local, mais poderes paralelos e estruturas hierárquicas distintas surgem, subjugando as pessoas à estes poderes. Se uma pessoa está satisfeita em uma empresa, ela trabalha naquela “cultura”, para evoluir naquele ambiente e luta pelo crescimento daquele todo, que lhe recompensará ou não de acordo com sua eficiência e empenho. Com a pouca influência do Estado sobre os integrantes da hierarquia empresarial, o poder do governo se reduz drasticamente. Um Estado que planeje ser totalitário, centrado na figura de um partido, precisa, necessariamente, acabar com qualquer estrutura hierárquica social que represente fidelidade à outra entidade senão à do partido. Quanto mais poderes paralelos com culturas distintas, mais difícil é a centralização.

A influência cultural se dá no aspecto da admiração das pessoas pela cultura alheia, de alguém que consideram como referência. A “elite”, não só a financeira, mas principalmente a intelectual, possui condições de gerar uma cultura própria, advinda por diversos meios, como estudos, gostos pessoais, influências externas, evolução pessoal e etc. Como a busca por cultura é mais espontânea quanto maior é o grau de instrução, a elite intelectual e seu poder de influência se tornam um dos principais inimigos de projetos autoritários. Por isto, partidos comunistas e seus galhos, tentam destruir de todas as formas o desenvolvimento intelectual e cultural das massas, isolando-as em uma bolha sem contato com a elite intelectual real, apenas com fantoches falsos e simulações de “intelectuais” e “artistas”, que nada mais são do que seres imbuídos da missão de influenciar com lixo cultural no lugar da verdadeira elite pensante.

A capacidade reativa que a elite possui está na organização e financiamento de entidades de luta contra quem vá lhes causar algum mal, advinda da própria natureza de independência desta classe. Por possuírem poder de influência e financeiro, podem organizar boicotes ao Estado, campanhas de propaganda e até, em casos mais drásticos, organizações de luta direta. O termo usado pejorativamente pela esquerda contra qualquer um que se oponha ao projeto nefasto de poder absoluto, “reacionário”, advém justamente desta capacidade que a elite financeira e intelectual tem de reagir e impor um padrão inverso que se oponha de frente, impedindo o avanço do “progressismo”, rumo ao comunismo. Neste aspecto, o controle da mídia e de meios de comunicação é parte essencial para os comunistas, pois sem comunicação não há organização social que não seja a do partido.

Todo o estilo de vida de uma sociedade advém da sua capacidade em produzir os seus bens necessários e manter-se em um nível confortável de desenvolvimento financeiro, para que possa exercer todas suas atividades de forma plena. Neste aspecto, entra a manutenção dos padrões por parte da elite. Um governo autoritário precisa mudar os padrões sociais para que se mantenha, alterando valores morais e de referência, para tentar torná-lo um exemplo a ser seguido, por mais injusto que seja. Já as empresas, regidas pela elite financeira, usam padrões sociais para gerar produtos que satisfaçam uma vontade espontânea da população. A empresa enxerga a sociedade e cria o que ela demanda. Já as aspirações comunistas primeiro desenvolvem o que deve ser demandado e depois forçam a sociedade a engolir aquilo como se fosse algo “natural”. Uma empresa (e a elite natural) é o completo oposto do governo tomado por um projeto totalitário.

A vontade do comunista não é apenas destruir a elite natural, é também tomar seu lugar e ser o único a possuír este padrão, para que possam sobreviver na base da força, com poder único hierárquico, cultural, de único padrão e extinguindo da sociedade qualquer capacidade de reação. São pessoas psicopatas completamente ensandecidas pelo poder e, para tê-lo, vale tudo. Uma pena tantos idiotas não enxergarem que os que mais bradam contra “as elites” são os que mais frequentam lugares de luxo, mais voam de jatinhos ou primeira classe e mais sentem nojo e ódio da pobreza e da fraternidade humana.