Parte da destruição arquitetônica

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Qualquer centro urbano, especialmente no Brasil, que você visita, é fácil identificar os traços de mudanças, deixado pelas correntes de ideias fortes no início do Século XX. Desde que o belo foi transmutado, com personificações do materialismo pleno — incumbido este, de destruir o transcendente —, a Arquitetura recebeu um choque de destruição avassalador.

Vejam o que diz o especialista e escritor Daniel Fernandes:

“O socialismo é mesmo devastador. Nem a arquitetura escapou à sanha dos revolucionários. Tom Wolfe, no livro ‘Da Bauhaus ao nosso caos’, assinala que a Bauhaus de Gropius foi concebida como ponto de partida e centro de construção de uma nova cultura e sociedade, com uma perspectiva social utópica de bases socialistas, explicitamente declarado no manifesto de 1919. A nova arquitetura devia rejeitar tudo que fosse burguês. Todas as concepções de ordem, equilíbrio, simetria eram vistas como concepções burguesas. Por exemplo: “Decidira-se, na batalha das teorias, que os telhados de águas e cornijas representavam “as coroas” da antiga nobreza, à qual a burguesia passava a maior parte do tempo imitando. Portanto, dali em diante só haveria telhados planos; telhados planos formando impecáveis ângulos retos com as fachadas dos edifícios. Nada de cornijas. Nada de beirais.” Os novos arquitetos se apresentavam como “os donos exclusivos da verdadeira visão do futuro da arquitetura”. Era preciso começar do zero. O resultado já é bastante conhecido. A Bauhaus foi uma péssima ideia. Talvez, por isso, a sua capacidade de influenciar escolas progressistas de arquitetura no mundo inteiro. Bauhaus é lixo arquitetônico.”

O que padeceu posteriormente foram incansáveis revoluções de cunho Cultural, Urbanístico, Sociocomportamental e Arquitetônico.

Talvez, o último ponto alto dessa baixa cultura arquitetônica, tenha sido a “Art déco’, tomem como exemplo o Edifício Altino Arantes (Prédio Banespa, imagem 2) [1947] e o Banco de São Paulo (imagem 3) [1938].

O maior projeto, sob todos os aspectos, linguísticos ou arquitetônicos, desse grotesco erro, é sem dúvida Brasília (imagem 4). Uma verdadeira adoração a Arte Moderna.

Tomando como base a Capital de São Paulo, você pode ver ver de três até quatro variantes arquitetônicas, até mesmo a Gótica, vislumbrando a Catedral da Sé, na foto de capa.