Manual politicamente incorreto do Islã e das Cruzadas

Robert Spencer - 2005

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MANUAL POLITICAMENTE INCORRETO DO ISLÃ E DAS CRUZADAS
Robert Spencer – 2005

Fui atraído por esse livro principalmente pelo termo “politicamente incorreto”. Esse termo geralmente revela que o autor irá revelar fatos que, por algum interesse alheio à busca da verdade, foram omitidos da maioria das fontes de pesquisa.

E, realmente, é isso que temos no livro de Spencer. Dividido em três partes, a primeira dedicada ao Islã; a segunda às Cruzadas e a última à jiade moderna, o livro expõe tantos fatos, sempre acompanhados de referências que podem ser consultadas pelos incrédulos, que não resta nenhuma dúvida ao final do livro.

O autor defende a seguinte tese, contrariando o que vemos na mídia:

“A verdade é que as sementes dos conflitos contemporâneos foram plantadas muito antes da Primeira Cruzada. Pois as cruzadas, como veremos, foram fundamentalmente uma reação a acontecimentos desencadeados 450 anos antes de terem início as batalhas.”

O livro é entremeado de “Mitos PC (Politicamente Corretos)”, que são opiniões geralmente difundidas pela mídia (e até por professores de História) favoráveis ao Islã ou contrárias às Cruzadas e que o autor procura desmontar.

O islã

A primeira parte, pelo menos para mim, foi de pouca utilidade. O autor pretende provar que a violência e a intolerância fazem parte integrante do Islã e, portanto, é inseparável dele. Isso, para mim, já estava claro, porém essa seção serve para dirimir qualquer dúvida de quem ainda acha que o Islã é a “religião da paz”.

“O Corão prega a tolerância em paz? Não. O mais perto que ele chega de preconizar tolerância ou coexistência pacífica é aconselhar os crentes a deixar os descrentes sozinhos com seus erros.”

Spencer mostra que o Corão prega que qualquer obstáculo à difusão do Islã deve ser visto como um ato ofensivo a Alá e seu profeta.

“Por outras palavras, caso entendam que o país está pondo algum obstáculo à disseminação do Islã, os muçulmanos ficam obrigados a travar guerra contra ele. Esta seria, é claro, uma ação militar defensiva, já que o obstáculo teria vindo primeiro.”

Em seguida, Spencer explica o que é Dima, a condição socio-jurídica em que vivem os não-muçulmanos sob o domínio dos muçulmanos. Pouco se fala sobre isso no Ocidente, mesmo em locais onde os migrantes muçulmanos defendem a implantação da Xaria.

“O direito islâmico decreta condição social de segunda classe para judeus, cristãos e outros não-muçulmanos nas sociedades islâmicas.”

“Em nenhuma parte do mundo islâmico gozam os não muçulmanos plena igualdade de direitos com os muçulmanos.”

Alguns exemplos, antigos e modernos, de como essas populações são humilhadas e perseguidas chegam a surpreender, desfazendo o mito PC de que judeus viviam melhor sob o domínio Islâmico.

“A ideia de que em terras islâmicas o judeus viviam melhor do que na Europa cristã é falsa.”

Spencer não esconde que alguns cruzados chegaram a praticar violências contra a população judia, mas mostra que, se isso ocorreu, não fazia parte dos objetivos das Cruzadas.

“Não é que não hajam ocorrido desmandos. Mas não terá sido por acaso que já na aurora da era moderna a grande maioria dos judeus havia migrado para o Ocidente, fora das jurisdições islâmicas.”

Através de várias citações do Corão e dos textos posteriores que também constituem a base da lei islâmica, Spencer mostra como a maioria dos exemplos de “moral elevada” dessa lei – geralmente citados por defensores – só se aplicam aos próprios muçulmanos.

“De fato, o Islã não tem um código moral análogo aos Dez Mandamentos; a ideia de que o Islã partilha o mesmo horizonte moral com o judaísmo e o cristianismo é mais um mito PC.”

“O direito islâmico é notório o impor punições severas, e talvez a mais conhecida de todas seja a amputação por roubo. Mas aqui mais uma vez a situação muda quando se trata de infiéis considerados beligerantes contra o Islã.”

“O Corão estipula que ‘não pode o crente matar outro crente, a não ser por engano, mas jamais faz declaração semelhante quanto aos descrentes.”

“Não são unívocos, porém, os termos em que o direito islâmico condena a matança de não-combatentes. Ele proíbe tirar a vida de mulheres e crianças ‘a não ser que estejam em luta com os muçulmanos’, ressalva amplamente interpretada como uma permissão para matar civis que possam estar auxiliando em qualquer sentido o esforço de guerra. Daí a afirmação corrente de que não há civis em Israel.”

Aí o autor entra num dos temas mais aterradores sobre o Islã: o fato da Lei islâmica permitir que os muçulmanos minta e enganem os não-muçulmanos se isso for necessário para sua sobrevivência (o que até seria justificável) ou para ajudar na expansão do Islã. Ou seja, virtualmente tudo que os muçulmanos estão dizendo na mídia pode ser somente um engodo visando a expansão de seu sistema socio-cultural.

“Os jiadistas dos nossos tempos já comentaram a utilidade das práticas enganosas. O leitor não se esqueça disso a próxima vez que vir na TV um porta-voz muçulmano apregoar sua amizade aos não-muçulmanos americanos e sua lealdade aos Estados Unidos.”

“Hoje os terroristas jiadistas se queixam de que o Ocidente destruiu a riqueza e a honra deles; porém, enquanto continuarem a cometer atos de violência contra inocentes – como fizeram no 11 de Setembro e tantos outros atentados -, essa queixa vai soar cada vez mais oca.”

Finalmente chegamos a um assunto que mudou minha opinião. Sempre ouvi falar dos grandes avanços científicos e culturais ocorridos no período de ouro da expansão islâmica. Spencer desmascara mais esse Mito PC.

“O florescimento da cultura islâmica tomou proporções de lenda (…) Muito se ouviu falar da literatura islâmica.”

Então, Spencer revela: “Muitos desses homens eram hereges islâmicos declarados.” Ou seja, desenvolveram suas obras A DESPEITO do islamismo, não como consequência.

“A Xaria, ao abolir instrumentos musicais, invoca o próprio Maomé, citando vários hádices.”

“Na verdade, o islã não foi a fundação de nenhum desenvolvimento cultural com científico muito relevante.”

“O que existe são consideráveis indícios de que ele brotou não do Islã, mas dos não-muçulmanos a servirem, em diversos ofícios, o seus senhores muçulmanos.”

“O astrolábio foi desenvolvido, se é que não aperfeiçoado, muito antes de nascer Maomé. Avicena, Averróis e outros filósofos muçulmanos alicerçaram-se no saber do grego pagão Aristóteles. Quem preservou a obra aristotélica das devastações medievais foram cristãos, como o padre Probo de Antioquia.”

“O primeiro tratado médico em língua árabe, saido no ano 683, era de autoria de um padre cristão, com tradução para o árabe assinada por um médico judeu.”

“Houve uma época em a cultura islâmica se encontrava mais avançada que a dos europeus, mas essa superioridade corresponde exatamente ao período em que os muçulmanos foram capazes de aproveitar e desenvolver conseguimentos da civilização Bizantina e outras.”

“É verdade: os muçulmanos já lideraram o mundo em diversas atividades, notadamente matemática e ciências. Mas essa ‘era de ouro’ despencou de tal modo que dela mal restam vestígios no mundo islâmico.”

Spencer dedica atenção ao trabalho do matemático que teria sido tão importante a ponto do termo “algoritmo” ter sido criado em homenagem ao seu nome.

“A bem dizer, os princípios das demonstrações de Al-Khwarizmi já tinham sido descobertos séculos antes – incluso aí o zero, que tantas vezes se atribui aos muçulmanos. Até mesmo o que hoje chamamos ‘algarismos arábicos’ não teve origem na Arábia, mas sim na Índia pré-islâmica e já nem se usa mais na língua árabe.”

“Os cristãos acreditavam em universo coerente e constante regido por um Deus bom.”

“Os europeus acabaram usando a álgebra, em conjunto com outras descobertas, para promover avanços tecnológicos significativos, os muçulmanos não.”

O autor se debruça sobre os motivos das descobertas dos cientistas muçulmanos não terem sido aproveitadas no mundo islâmico, mas pelos europeus.

“Visto o Corão como o livro perfeito e a sociedade islâmica como a civilização perfeita, demasiados muçulmanos julgaram passar bem sem conhecimentos provindos de outras fontes.”

“Foi na Europa cristã que surgiu a maior parte da exploração filosófica e científica, assim como do avanço tecnológico.”

“Os judeus e cristãos creem que Deus é bom. Ele criou universo de acordo com leis racionais, desvendáveis, tornando assim compensadora a investigação científica. Já no Islã, Alá é absolutamente livre. Dizer que ele criou o universo de acordo com leis constantes, racionais, ou que ele não pode fazer isso ou aquilo – como diz São Tomaz de Aquino – seria por amarras à sua soberania absoluta.”

Ou seja, a diferença entre o conceito do Deus judaico-cristão e de Alá foi a responsável pelo não aproveitamento das descobertas pelos muçulmanos.

As Cruzadas

Chegamos às Cruzadas e Spencer é taxativo.

“O primeiro contato em larga escala dos muçulmanos com o mundo ocidental não se deu nas Cruzadas, mas 450 anos antes delas.”

“Os exércitos muçulmanos varreram depressa imensas regiões que jamais os tinham ameaçado e provavelmente não tinham sequer ouvido falar naqueles homens antes de serem invadidas por eles.”

“Nenhuma seita islâmica jamais renunciou à proposição de que a lei do Islã deve reinar soberana no mundo inteiro e que, para tal, sob certas circunstâncias, os muçulmanos devem pegar em armas.”

“Nenhum grupo, religioso ou não, possui o monopólio das iniquidades ou das virtudes – mas daí não resulta que todas as tradições religiosas se equivalham, quer na natureza de seus ensinamentos, quer na capacidade deles para inspirar violência.”

“Hoje, muitos muçulmanos negam terminantemente que a sua religião se tenha difundido pela espada, e assinalam que a conversão forçada é proibida no Islã. E eles têm toda a razão: o que se propagou pela força foi a hegemonia sócio-política do sistema islâmico.”

“Na teologia islâmica, qualquer terra que chegou algum dia a pertencer à Casa do Islã lhe pertence para sempre, cabendo aos muçulmanos guerrear até reassumir o controle sobre ela.”

“O Papa Urbano II, ao convocar a Primeira Cruzada no Concílio de Clermont, em 1095, clamava por uma ação defensiva e já atrasadíssima.”

“O dogma politicamente correto de que as Cruzadas consistiram em ações não-provocadas e imperialistas contra uma pacífica população muçulmana autóctone simplesmente carece de exatidão histórica e reflete antes aversão pela civilização ocidental do que exame histórico genuíno.”

Spencer destrói o Mito PC que afirma que quem foi lutar nas Cruzadas eram os segundos filhos, portanto sem título e propriedades, visando pilhar a Terra Santa.

“A vasta maioria deles não eram ‘segundos filhos’ em busca de terras de lucros.”

“Defender os peregrinos cristãos e reaver terras cristãs: eram somente essas as preocupações do Papa Urbano.”

Mas Spencer não oculta os erros cometidos pelos cruzados.

“O saque dos cruzados a Jerusalém foi um crime hediondo – sobretudo à luz dos princípios religiosos e morais que eles declaravam defender. Contudo, pelos padrões da época, não foi nada fora do comum. O fato de que o saqueio não fugiu à praxe bélica daqueles tempos explicará o laconismo dos primeiros relatos muçulmanos do evento. Só mais tarde é que os escritores muçulmanos foram descobrir o valor propagandístico de enfatizar, e inflar, os totais de mortos.”

“Fartamente documentado é que os muçulmanos, ao tomarem posse de uma cidade conquistada, não raro adotavam a mesmíssima conduta.”

“Na nossa era, Saladino virou o protótipo do guerreiro muçulmano tolerante e magnânimo, prova histórica da nobreza do Islã e mesmo de sua superioridade ao perverso cristianismo ocidental colonialista.”

“Ao entrar Saladino com seus homens em Jerusalém, no final daquele ano, a sua magnanimidade era antes pragmatismo. A princípio ele planejava executar todos os cristãos de Jerusalém.”

Spencer analisa a afirmação de que os judeus viviam melhor sob os muçulmanos.

“É verdade, infelizmente, que judeus foram alvo de cruzados em múltiplas ocasiões.”

Porém a prova de que a situação dos judeus não era tão boa assim vem de textos da época e da maciça migração judaica em direção à Europa.

“Muito se difundiu a crença de que o Papa João Paulo II se desculpou pelas Cruzadas. Só que o papa nunca pediu perdão pelas cruzadas.”

“Peçamos perdão pelas divisões que surgiram entre cristãos, pela violência de que alguns fizeram uso a serviço da verdade e pelas atitudes de desconfiança e hostilidade às vezes assumidas perante os seguidores de outras religiões.” Papa João Paulo II

“No decorrer da história, todos os povos que caíram em poder do Islã, por mais numerosa fosse a sua população e por mais esplêndidos que fossem os seus conseguimentos antes da dominação islâmica, acabaram reduzindo-se a minorias nanicas e culturalmente secundárias. Os únicos que se safaram da dimitude islâmica foram os que obtiveram êxito em resistir à jiade: os cristãos na Europa e os hindus da Índia.”

“Os efeitos a longo prazo da dima provaram-se muito mais nocivos aos não-muçulmanos.”

A jiade moderna

Sobre a jiade moderna, Spencer nos alerta:

“Se não recuperarmos o orgulho da civilização ocidental, não conseguiremos resistir à jiade.”

E desfaz a ideia de que todo fundamentalismo religioso é igualmente ruim.

“Que os cristãos evangélicos não cometam atos assim já é um claro indício de que nem todos os ‘fundamentalismos’ se equivalem.”

“As religiões não são mero material a ser moldado pelos crentes a seu bel-prazer.”

“Qualquer ser humano com um sistema de crenças pode cometer atrocidades. Mas atrocidades costumam vir em maior numero e com maior frequência quando encorajadas e perpetuadas por textos religiosos e seus pregadores.”

“O problema está dentro do Islã, não vai desaparecer, nem se neutralizar, até que se reconheça esse fato.”

“Pessoas que se envergonham da própria cultura não a defenderão.” David Yeagley Professor Universitário indígena

“O conceito mesmo de direitos humanos foi uma invenção judaico-cristã, e não se admite no Islã.” Sa’id Raja’i-Khorassami representante permanente da República Islâmica do Irã junto às Nações Unidas

“A acusação de islamofobia é usada para intimidar e silenciar os críticos da jiade violenta.”

“Ninguém tinha ouvido falar nisto de islamofobia até pouquíssimos anos atrás. Mas um ano é muito tempo para uma bem azeitada máquina de propaganda. Agora esse conceito vago e em última análise oco tem sido levado a sério, a seriíssimo.”

“Ao focar-se na ‘islamofobia’ e não nas desagradáveis realidades do Islã, a Organização das Nações Unidas desonra as vítimas passadas e presentes do terror jiadista e conchava-se com terroristas.”

“Ele serve, sim, para propagar a forma mais virulenta de equivalência teológica: afirmar, contra os fatos, que todas as tradições religiosas têm igual capacidade para inspirar violência.”

“A acusação de islamofobia é rotineiramente usada para desviar o foco dos terroristas jiadistas.”

“O tal fenômeno da ‘islamofobia’ afinal não existe – ou então existe como existia uma ‘germanofobia’ em odiar Hitler e uma ‘russofobia’ em detestar o stalinismo.” Victor Davis Hanson, historiador

“Há muçulmanos moderados, mas o Islã em si não é moderado.” Ibn Warraq (ex-muçulmano)

“Se constitui incitação ao ódio contra os muçulmanos um não-muçulmano perquirir os verdadeiros ensinamentos do Corão, então não pode haver debate público racional sobre o Islã. O que tais proteções de fato fazem é tornar os muçulmanos uma classe à parte, acima do bem e do mal, justamente no momento em que o Ocidente precisa examinar as consequências de haver acolhido pessoas mais comprometidas com a lei islâmica do que com o pluralismo, a liberdade e a democracia.”

“O que preconizo, antes, é um reconhecimento geral de que já estamos em uma guerra entre duas ideias radicalmente diferentes de governança política e organização da sociedade, e que, nessa guerra, o Ocidente não tem nada com que se desculpar e muito a defender.”

Por fim, Spencer lista 4 pontos essenciais para lutar contra a jiade.

Como derrotar a jiade no âmbito doméstico:
– Ler o Corão
– Informar com honestidade as atividades jiadistas nos EUA e no Ocidente
– Reclassificar as organizações muçulmanas
– Ter orgulho da cultura ocidental

O livro é extremamente agradável de se ler, embora nos deixe um pouco apreensivos com a revelação de que tudo que vemos na mídia nos últimos tempos é parte de um plano friamente calculado. Mas essa consciência é necessária. Leiam e divulguem esse livro.