O Fim da Programação infantil na TV aberta.

O Fim da Programação infantil na TV aberta.

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Muitos devem ter se perguntado o motivo de cada vez mais,  programas infantis estão sumindo da grade de programação da TV aberta e substituídos por programa de saúde e beleza.

Para explicar melhor, vamos voltar a falar de economia.

O Combustível da TV aberta é a propaganda. Anunciantes vendem seus produtos durante a programação. Essa venda é feita de acordo com o publico alvo do programa, baseando-se pela Faixa etária , sexo, tema, etc. Por esse motivo os programas infantis tinham em seus intervalos produtos relacionados à crianças ,como roupas ,brinquedos e alimentos. Todos esses comerciais foram banidos aos poucos da TV através das regulações estatais.

A propaganda destinada a crianças no Brasil é regulada pelo Código de Autorregulamentação Publicitária (Conar); pelo Estatuto da Criança e do Adolescente; pelo Código de Defesa do Consumidor, além das ações normativas da Anvisa e determinações do Código de Ética da Publicidade.

Algumas das regras proíbe o uso dos imperativos “compre”, “peça para seus pais”; de conteúdos que desvalorizem a família, escola, vida saudável; ou que contenha algum tipo de preconceito. Também é proibido apresentar produtos que substituem as refeições e encorajar o consumo excessivo de alimentos e bebidas.
No mundo, apenas países onde a programação é quase 100% estatal há a proibição total da propaganda infantil, como é o caso de Noruega e Suécia, além da província de Quebec, no Canadá. O Brasil apesar de não entrar nesse conceito de TV estatal usa outro método o Governo investe 5 bilhões por ano só em propaganda estatal, uma verba superior as maiores anunciantes do país. Com as ultimas regulações de 2014, os programas perderam os anunciantes e foram banidos de vez da TV, restando apenas os canais pagos com esse tipo de programação.
Apenas para dar uma ideia o mercado voltado para as crianças movimenta 50 bilhões de reais anualmente no Brasil.

Não que eu acredite em algum tipo de conspiração, mas o que vem acontecendo na realidade, é um tipo de controle da mídia feito aos poucos onde o Estado vai retirando a receita privada das emissoras, usando de leis e decretos de forma “low profile” , e forçando a cada vez mais depender dele para sobreviver. O resultado disso é um controle sutil dos meios de comunicação.

O paternalismo e a liberdade.

O estado sabe o que é melhor para você e sua família, certo?
Afinal, ele acha que você não pode controlar seus filhos, ou que o uso da palavra “não”  vai gerar adultos traumatizados e depressivos, Baboseira!
A função do estado é apenas assegurar e não “cuidar”, pois cada vez que você delega uma liberdade sua para uma instituição, nunca mais a pegará de volta. Educar seus filhos é um direito seu, associado a liberdade e privacidade.

Apesar oferecer serviços embrulhados em “segurança e palavras bonitas”, o que o estado te oferece são paredes. Censuras que vão aparecendo onde você menos  espera, e quando perceber essas paredes te cercaram. Vou fechar essa matéria com as palavras do advogado Alan L. Isaacman, do caso Larry Flynt, apesar de ser um assunto adulto, o caso trata de censura , responsabilidade e liberdade:

“Estamos discutindo uma questão de gosto, não de Lei. E é inútil discutir gosto – muito menos nos tribunais. (…) Na verdade, tudo o que esta discussão faz é permitir a punição de discursos impopulares (…) – e estes são vitais para a saúde da nação. Não estou tentando convencê-los de que deveriam gostar do que Larry Flynt faz. Eu não gosto do que ele faz. Mas o que eu gosto é de viver num país onde você e eu podemos tomar esta decisão por nós mesmos. Eu gosto de viver num país no qual eu possa pegar a revista Hustler, lê-la se quiser ou atirá-la no lixo se acho que ali é seu lugar. Ou não comprá-la. Gosto de ter esse direito, me importo com ele. E vocês deveriam se importar com ele também, porque vivemos num país livre. Dizemos muito isso, mas às vezes nos esquecemos do que significa. Vivemos num país livre. Esta é uma ideia poderosa, é um jeito maravilhoso de se viver. Mas há um preço para esta liberdade, que é, às vezes, ter que tolerar coisas das quais não gostamos necessariamente.”

Fontes:
http://criancaeconsumo.org.br/advocacy/legislacao-nacional/
http://www12.senado.gov.br/jornal/edicoes/2014/04/29/medida-proibe-publicidade-dirigida-ao-publico-infantil