O PT pós-impeachment

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Futurologia, ao contrário do que leigos pensam, não é brincadeira, mas sim uma ciência que baseada em atos e eventos presentes tenta prever possíveis cenários para o futuro. E fazendo um exercício de futurologia é bem previsível que o PT seja defenestrado do comando do Executivo em breve e como muitos estão focados no futuro do país após este evento eu irei pela contramão e abordarei aqui , neste artigo, o futuro que aguarda o Partido dos Trabalhadores.

Em um primeiro momento após passado o choque do desfecho do Impeachment seguirá o PT os passos já consagrados pela Psicologia ao luto; pelo Brasil? Claro que não! O luto será pela morte do projeto petista de eternização no poder isso sim.

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A psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross conseguiu identificar a reação psíquica de cada paciente em estado terminal e elaborou as cinco fases do luto.

  1. NEGAÇÃO – Seria uma defesa psíquica que faz com que o indivíduo acaba negando o problema, tenta encontrar algum jeito de não entrar em contato com a realidade seja da morte de um ente querido ou da perda de emprego. É comum a pessoa também não querer falar sobre o assunto. O PT e seus partidários entrarão nessa fase logo nos primeiros segundos após o Impeachment ser aprovado pelo Senado e por negarem o resultado apelarão para o STF com toda certeza tentando invalidar a votação/decisão, colocar o rito sob suspeição (como já o vem fazendo desde o início na Câmara dos Deputados), colocarem seus militantes na rua para dizerem que não aceitam o resultado e que são os escolhidos por Deus, ops, pelo povo para guiar o Brasil rumo a um futuro melhor (devaneios são comuns nesta fase).
  2. RAIVA – Nessa fase o indivíduo se revolta com o mundo, se sente injustiçado e não se conforma por estar passando por isso. Com o PT esta fase pode se misturar com a fase anterior e ambas se interporem. Pois quando a raiva subir a cabeça dos dirigentes petistas eles podem levar ao pé da letra a ameaça do seu babalorixá Lula e convocar o exército de Stédile e colocar o MST, MTST, CUT e afins nas ruas e no campo fazendo badernas e arruaças diversas afim de mostrarem que a paz só voltará a reinar caso o PT seja colocado de volta ao poder. É claro que nosso país não cabe nenhum grupo paramilitar agindo livremente como há na Venezuela e em países africanos e estes grupos serão repreendidos fortemente assim esperamos.
  3. BARGANHA – Essa é fase que o indivíduo começa a negociar, começando com si mesmo, acaba querendo dizer que será uma pessoa melhor se sair daquela situação, faz promessas a Deus. É como o discurso “Vou ser uma pessoa melhor, serei mais gentil e simpático com as pessoas, irei ter uma vida saudável.” No caso do PT as negociações se darão logo após o partido caia em si e contemple que não será levado de volta ao Poder com a “força dos movimentos sociais” citados acima. Negociará com antigos e novos aliados tentando costurar em si a pecha de injustiçado, de perseguido pelas elites, de que fora corrompido pelo sistema e barganhará com a opinião pública que se for levado ao poder novamente nas próximas eleições “fará tudo diferente e não se corromperá”. Tudo falácia claro…
  4. DEPRESSÃO – Já nessa fase a pessoa se retira para seu mundo interno, se isolando, melancólica e se sentindo impotente diante da situação. Esta fase só ocorrerá com o PT caso eles não sejam bem sucedidos com a barganha, ou seja, se eles não conseguirem convencer a população que mudarão seus hábitos aí sim o Partido dos Trabalhadores cairá num estado de depressão e melancolia em que seus dirigentes não saberão o que fazer; isso pode ser agravado caso o único nome viável do partido – Lula – esteja ou preso ou com a ficha suja e não possa concorrer nas próximas eleições. Aí a depressão do PT será profunda e duradoura visto que o partido não tem e não terá nomes de peso viáveis para concorrer numa nova eleição presidencial.
  5. ACEITAÇÃO – É o estágio em que o indivíduo não tem desespero e consegue enxergar a realidade como realmente é, ficando pronto pra enfrentar a perda ou a morte. Bem é certo que nem todos passam por todas as fases do luto, mas caso o PT chegue até aqui é bem provável que eles voltem a sua origem (infelizmente) e façam aquela oposição raivosa tão maléfica ao Brasil, mas que mantem a identidade torta do partido desde a sua fundação.

É importante esclarecer que não existe uma sequencia dos estágios de luto, mas é comum que as pessoas que passam por esse processo apresentem pelo menos dois desses estágios. E não necessariamente as pessoas conseguem passar por esse processo completo algumas ficam estagnadas em uma das fases que citei.

Na nossa análise de futurologia devemos ver que as três primeiras fases ocorrerão com quase toda certeza com o Partido dos Trabalhadores; a fase de Depressão pode ser pulada ou minimizada e a fase da Aceitação que tende a ser raivosa, como antigamente a oposição petista trabalhava, pode dar lugar também a uma renovação geral no Diretório petista com a entrada de sangue novo e com uma mudança radical nas suas diretrizes tentando agregar uma nova esquerda que estará carente de opções. Bem a tendência infelizmente não é de renovação, para que possamos ter, no futuro, um debate de idéias para melhorar o Brasil e não essa disputa espúria de ver quem consegue manchar mais a reputação do candidato adversário para assim tirarmos os egos dos políticos de foco e colocar o país na frente como deve ser. E o pior dos cenários seria o PT empacar na fase da Negação ou da Raiva querendo levar o país a um estágio próximo a uma guerra civil; pois embora o apoio popular deles seja pequeno (não contamos aqui os militantes-pagos) a chances de causar uma balbúrdia e atravancar mais ainda o Brasil é grande e aí o término deste ciclo dependeria mais de quem estiver sentado na cadeira da presidência do que das ações do próprio PT.

O impeachment está bem encaminhado e a sua aprovação final e definitiva está prestes a ser contemplada e a saída de Dilma Vana Rousseff está bem próxima. A análise de como o PT enfrentará o seu “luto” dirá que oposição teremos vinda deles e que rumos um novo governo terá que tomar com todos desafios que estão aí e os que ainda estão por vir.