O câncer do fisiologismo na política brasileira

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Fisiologismo. Para muitos cidadãos, o significado desta palavra não ecoa como se deve, porém eles não têm ideia de como é repulsiva esta conduta na prática. Esclarecendo de maneira simples, o fisiologismo remete a relações políticas sórdidas, caracterizadas por troca de favores, benefícios ou privilégios individuais entre integrantes de governos e partidos políticos, ou seja, o Estado é utilizado como balcão de negócios para que facções políticas e ideológicas se perpetuem no poder e interesses particulares sejam contemplados, como acontecem em regimes bolivarianos.

A função da política é ser um instrumento para fomentar a infraestrutura, o crescimento e a produtividade dos indivíduos, a partir de pilares como o livre mercado, o incentivo ao setor privado, a liberdade individual e a meritocracia nas instituições. No Brasil, estatais são loteadas por indicações políticas e ministérios e secretarias são “presenteados” para contemplar eventuais aliados. No entanto, não se faz isso com intenções gerenciais e sim para ampliar as adesões de legendas políticas na administração pública, resultando em fins eleitoreiros.

O questionamento é o seguinte: A população brasileira está satisfeita com todo este aparato burocrático do Estado e, sobretudo, com o retorno dos serviços públicos prestados nas áreas da saúde, educação e segurança, por exemplo? Vale a pena intensificar ainda mais despesas, a partir do aumento de mais impostos?

O fisiologismo é como um câncer que, ao locupletar-se nas entranhas da máquina pública, destrói todos os seus mecanismos estruturais ao redor, aumentando a corrupção, o tráfico de influência, a impunidade e os abusos de poder. São procedimentos escusos como este que impedem o Brasil de atrair investimentos e investir mais, ocasionando obstáculos para gerar empregos, renda e destravar a economia. Aliás, a economia brasileira está em recessão, apresentando índices socioeconômicos pífios, endividamento público estrambólico, desemprego ascendente e inflação elevada. Quem teria interesse em aplicar capital e recursos em um local onde a carga tributária é elevada e não há respeito aos contratos, nem liberdade econômica devido ao protecionismo e à burocracia?

Enquanto não houver a pretensão para enxugar o tamanho do Estado, eliminando a exagerada quantidade de estatais, cargos comissionados, secretarias e ministérios, certos vícios não vão cessar. Em economia, sabe-se que não se pode gastar mais do que aquilo que se arrecada. Quanto mais monopólios estatais, maiores são as propensões para desvios do erário público, coordenadas por quadrilhas especializadas. O excesso de gastos públicos não só compromete a saúde financeira de um município, estado ou país como também os investimentos, visto que o déficit fiscal brasileiro de bilhões de reais desencadeia a perda do grau de investimento por agências internacionais de classificação de risco, afetando a confiança e o crédito para negócios.

Por isso, as privatizações são necessárias em setores improdutivos, uma vez que, comprovadamente, várias empresas que passaram por este processo obtêm até hoje excelentes rendimentos financeiros, através de dois critérios essenciais: competência e capacitação.

Uma boa política é concretizada através de um planejamento eficaz em longo prazo, priorizando gerações futuras e não a partir de ações populistas, intervencionistas e imediatistas, típicas de governos centralizadores e autoritários de esquerda. Cabe a você, caro leitor, refletir sobre estas questões e exercer a sua cidadania.