Hora de marcar posição

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É verdade que, pragmaticamente, em um momento em que a economia mostra os primeiros sinais positivos, mais um escândalo significa mais sofrimento. No entanto, de que serviria sofrer um pouco menos se este sofrimento fosse sem sentido? Já disse várias vezes que meu ódio ao PT e aos partidos de Esquerda do Brasil não vem do fato deles serem corruptos, mas do mal que eles provocam na aplicação de suas ideologias e na sua defesa do Estado inchado e poderoso. Até acredito que Marina Silva não seja corrupta, mas o mal que ela faria no poder seria indescritível. Se o PT representa o populismo ideológico corrupto que precisa e deseja o Estado Grande, o PMDB representa o populismo não ideológico corrupto que precisa e deseja o Estado Grande. A diferença, embora importante, não apaga o fato que os dois devem ser combatidos com vigor.

Com a queda de Temer a separação entre a Direita e a Esquerda deve ficar mais definida. Os Esquerdopatas, que votaram em Temer, não vão mais poder se esconder no argumento estúpido de que quem foi a favor do impeachment era a favor do PMDB. Os políticos do PMDB e do PSDB tentaram pegar carona nos movimentos da nascente Direita brasileira e foram rechaçados. Estes mesmos Esquerdopatas também não terão mais o igualmente estúpido argumento que a Lava Jato seria um instrumento político contra o PT e que isentaria os corruptos tradicionais. Embora, conhecendo a desonestidade intelectual deles, certamente dirão que as acusações contra Temer e Aécio são absolutamente irrefutáveis, mas que contra o Lula é perseguição.

Não é hora de sentir medo pela Economia ou por uma possível recuperação do Lula. Está na hora de partir para o ataque mais uma vez. Ou a Direita se define claramente ou pode perder o bonde da História. O ataque à corrupção e a crítica à destruição da economia são nossos meios de combate, mas não podemos perder o foco nos objetivos. Não tenho dúvida de que quando começarmos a eleger políticos em maior escala, muitos acabarão envolvidos em corrupção. Tal é a natureza do ser humano. O que a Direita realmente oferece é um Estado mais leve e menos poderoso.

É hora de lembrar as palavras de Karl Popper: “… não é nada fácil conseguir um governo em cuja bondade e sabedoria se pode confiar implicitamente. Se isto é verdade, então devemos nos perguntar se o pensamento político não deveria enfrentar, desde o início, a possibilidade de mau governo; Se não deveríamos nos preparar para os piores líderes e esperar pelo melhor. Mas isso leva a uma nova abordagem para o problema da política, pois nos obriga a substituir a pergunta: ‘quem deve governar?’, pela nova pergunta: ‘Como podemos então organizar as instituições políticas de modo que governantes maus ou incompetentes podem ser impedidos de fazer muito dano?’

Nossa proposta não se baseia em ter uma receita para prevenir que políticos corruptos se candidatem em partidos como o Novo. Isto é bobagem! Nossa proposta se baseia no fato de que quem tem menos poder se corrompe menos facilmente e que, uma vez corrompido, tem menos capacidade de fazer o mal. Isto só pode ser obtido pela diminuição do tamanho e do poder do Estado. Mas mesmo isto não é suficiente. O modelo Republicano de separação e limitação de poder é absolutamente necessário. O Executivo não pode fazer leis. O Legislativo não pode definir ações de ministros ou ter direito a definir como o Executivo deve gastar dinheiro, além do mero poder de aprovar ou reprovar o orçamento como um todo. E o Judiciário não pode modificar ou criar leis e muito menos se travestir de força para implementação de mudanças sociais.

Estas são nossas verdadeiras lutas. Se pretendemos triunfar não podemos nos entregar a medos ou a pragmatismos de curto prazo. Temos a obrigação de ter esperança. Somos nós, se formos fanáticos defensores da Liberdade e persistentes guerreiros no combate ao velho populismo, em todas as suas formas, que faremos a História, ou , caso contrário, perderemos a oportunidade.