Olhar Atual

Vamos falar da p@*# do Politicamente Correto!

Bem pelo título já está óbvio que eu não vou defender o Politicamente Correto, pois senão nunca poderia ter colocado um palavrão no cabeçalho deste artigo. Mas este palavrão, que nem é um PALAVRÃO assim, foi só para provocar, para instigar, porque ao contrário do que defendem isentões e esquerdinhas, você não precisa ser mal-educado e boquirroto para detestar a insuportável mania do politicamente correto que nos cerca hoje em dia e a patrulha que ela amealhei-a.

Como já coloquei no 1º parágrafo esta mania do politicamente correto é introduzida principalmente pelas correntes ideológicas de esquerda, que conta com a ajuda da mídia, para divulgá-la em escala massiva. E qual é o grande perigo? O perigo é que o linguajar politicamente correto e o agir de modo politicamente correto levam o indivíduo a um estado de ignorância onde ele se sente bem ao achar que esta tomando atitudes “boazinhas”, que não está “machucando os sentimentos de ninguém” e que só quer “o melhor para todos”. Ao longo deste artigo vou recheá-lo com tirinhas em que o humor nos mostra de maneira sátira a triste realidade em que vivemos e tecerei breves comentários de algumas. No momento me recordo de meus tempos de faculdade pública, vim de família humilde e nunca tivemos empregada doméstica, quando um belo dia uma colega me encontra em determinado local e me cumprimenta e apresenta a sua mãe e a sua “secretária”; trocamos um papinho rápido e logo nos despedimos e eu fiquei encucado com o que a mãe de minha amiga trabalhava que precisava levar a secretária do trabalho junto, em meus devaneios devia ser algo bem importante. Só mais tarde fui saber que secretária era uma abreviação de “secretária do lar” que era um eufemismo politicamente correto para empregadas domésticas! Fui ingênuo? Creio que não. Não era uma terminologia a qual eu estava acostumada e depois fiquei a pensar: se “secretária” era um termo que vinha a enobrecer, por assim dizer, a profissão da empregada doméstica, o que será que as secretárias de fato achavam disso?!”. É caros leitores nunca indaguei uma a respeito embora essa curiosidade ainda me atarante vez ou outra…

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Essa tirinha acima é simplesmente genial e não teria como não comentá-la neste artigo. Veja a criança da esquerda é negra, gay e esquerdista (um verdadeiro clichê de minorias ambulante [putz acho que acabo de ser politicamente incorreto]) e a criança da direita é branca, heterossexual e direitista (ao meu ver até pouco tempo atrás esta combinação numa pessoa só que era uma verdadeira minoria neste país, mas esquece…), vejam mais a tirinha mostra que a auto-afirmação da criança da esquerda em todas as suas falas é visto como algo positivo não só por ela mesma, que parece nutrir orgulho ao se auto-afirmar, mas é vista como algo positivo por seu colega da direita também, mas como não é absurdo que o mesmo direito que a criança da esquerda tem de se auto-afirmar é negada à criança da direita que logo é tachada pelo seu amiguinho como: “racista, homofóbico e fascista”; não precisa ser nenhum expert para ver que em nenhum momento a criança da direita agiu como racista, homofóbico e fascista, uma vez que não denegriu de espécime algum a outra criança, pelo contrário deu até apoio moral a auto-afirmação desta.

Eu, particularmente, me vejo na criança da direita, embora não seja branco caucasiano e tenha orgulho da minha origem miscigenada (no meu caldeirão cultural entram portugueses, italianos e indianos) eu nunca pensei em sair pela rua gritando que eu tenho orgulho de ser branco, macho (“ain que afirmação misógina” kkkk) e de direita! Por que não? Primeiro porque não é do interesse de todos, não é uma mensagem de utilidade pública, segundo porque tais concepções embora façam parte do meu Eu elas não me definem sozinhas, não mostram o principal sobre mim, e sobre todos, que é o potencial da minha massa encefálica, o poder de processamento do meu cérebro ou em bom português o quão inteligente eu sou para executar alguma função e para me socializar no mundo em que vivemos. Ou faria diferença para o caro leitor se eu fosse um indígena, míope, anão, homossexual, judeu, gaúcho e palmeirense?! Creio que se o conceito expresso até aqui está sendo bem processado pelo seu cérebro caro leitor a resposta natural é não. Você me avaliará pelo que eu escrevo/penso e não pelo que “eu sou”, pois a minha origem, as minhas deficiências, a minha opção sexual, o local que eu nasci, o time de futebol ao qual eu torço dentre outros não deveria influir de forma alguma na sua capacidade de julgar um texto meu, mas infelizmente o politicamente correto conseguiu deturpar isso quase que invisivelmente, veja exemplo na tirinha abaixo:

politicamente correto
Dois pesos e duas medidas

Sinceramente fico com medo de ter que descrever uma pessoa acometida por nanismo por não poder mais chamá-la de “anão”, teria que recorrer a algum termo politicamente correto e a uma palavra gigante, sem sacanagem, desculpa, sem trocadilho, como: “pessoa naturalmente desprovida de altura”. Pronto acho que era isso. Mas que saco!

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Mas, brincadeiras à parte, o discurso do politicamente correto impede debates sérios como por exemplo sobre as cotas raciais. Perdi as contas de quantas vezes gritaram em cima de mim (sim porque esses macacos amestrados não dialogam eles berram e agora até cospem!) ao eu mal proferir que era contra cotas raciais, antes de o “porquê” conseguir ser verbalizado pela minha boca as pessoas já tachavam preliminarmente a minha pessoa de racista, burguês, coxinha, eleitor de Bolsonaro, além de palavras de baixo calão que não vale a pena aqui repercuti-las… Quando se calavam já “empoderados” (essa é a nova palavra da moda dentre os esquerdinhas) de terem me humilhado com a sua superioridade argumentativa de nível excepcional (pausa para risos) eu começava a explicar que era contrário a cotas para negros e sim favorável a cotas para pobres! O cérebro da maioria começa a entrar em curto-circuito nessa hora (dá quase pra ver a fumacinha e sentir o cheirinho de queimado saindo pelos ouvidos… kkkkkk…) porque eles – discriminatoriamente – associam todo negro a um pobre coitado e que inversamente todo branco é rico! Ora aí se criam absurdos do tipo que o filho de um juiz negro entra numa universidade pública pelas cotas e o filho de um gari branco não. Eu, portanto, defendo a existência de cotas para estudantes pobres oriundos do nosso semi-falido sistema educacional público. E aqui não estou entrando no mérito se qualquer tipo de cota, seja para negros ou para pobres, é boa ou não; o mérito da questão é como o discurso vitimista do politicamente correto empesteia qualquer debate mais racional e o atrapalha de n modos.

Na mesma toada sou contra a lei do feminicídio, e quando digo isso gritos ecoam nas hostes esquerdistas de: “machista! misógino! elitista! mantenedor do patriarcado! eleitor do Bolsonaro (esse “xingamento” serve para tudo! kkkk)! fascista! e etc e tal…”; mas vejam bem sou contra porque já existe uma lei que combata o homicídio e ao contrário do que a mulher-sapiens deve achar, homicídio significa assassinato de um ser humano e não só de homens. Alguns juristas dirão, como está escrito na LEI Nº 13.104, que a instituição do feminicídio veio para aumentar a pena daqueles que mataram “só pelo fato da vítima ser mulher”! Mas que merda de raciocínio é esse!?! Então os assassinos que matam homens, heterossexuais diga-se de passagem, merecem um abrandamento de pena pelo fato da vítima não pertencer a nenhuma minoria?!? Porque se é pra se punir mais rigorosamente porque raios não se aumenta a pena para homicídio como um todo?!? A esquerda e os isentões novamente se calam sem argumentos…

Falando de Bolsonaro, que como vocês viram virou xingamento na boca dos esquerdinhas, descobri há alguns meses que existem grupos no Facebook e em outras redes sociais com títulos como “Gays por Bolsonaro”, algo totalmente incompreensível para os cérebros atrofiados da esquerda e que desafia praticamente a existência do politicamente correto quando homossexuais admitem apoiar um deputado que eles apregoaram a pecha de homofóbico a muito tempo (não vou entrar no mérito da questão se ele é ou não é, tire suas próprias conclusões até com a ajuda do excelente texto do meu amigo e articulista do OA Maurício Vilela aqui). Fui ler o artigo que falava sobre esse grupo tão diferenciado do status quo dominante dos demais grupos de defesa aos homossexuais (porque é assim que se faz quando não se entende algo, você lê e pesquisa a respeito e não sai dando sua opinião preconceituosa #FicaDica meu amigo esquerdopata) e vi que um de seus líderes não por acaso é articulista do Olhar Atual também, o arquiteto Smith Hays, que diz admirar Bolsonaro, justamente por ele tratá-lo como “uma pessoa qualquer”, e diz mais num dos encontros que teve com o deputado federal (leia a íntegra aqui):

“De gays, a gente quase não fala. Ele me trata como um ser humano, como qualquer pessoa. Se eu pisar na bola com ele, vai me tratar mal. Assim como tem que ser em qualquer relação.”

Que lição tiramos disso tudo meus amigos? Que ao contrário do que a esquerda brasileira quer fazer passar a discussão sobre o politicamente correto é mais do que um mero joguete de quem quer fazer piadinhas racistas, homofóbicas, misóginas ou desmerecendo qualquer minoria… Não! É um jogo sério que a esquerda tenta nos manipular para conseguir o objetivo final de toda pregação socialista/comunista (ou marxista/leninista como queiram) que é a conversão ao pensamento único e o qual consiste em conceitos simples e imbecis. Esta será a nova opinião pública globalizada. Será negar a história e a complexidade inerentes aos seres humanos, será a  idiotia em seu estado mais puro, seremos a manada de pobres ovelhinhas balindo ao som do sino tocado pelo todo poderoso e protetor ser divino estatal, sem nada questionar, sem nada a objetar, só balançando servilmente a cabeça em tom de concordância.

 

Alexandre Lopes

Médico, formado pela UFMA, e articulista. Entre meus interesses estão assuntos relacionados a Saúde, Educação, Política (nacional e internacional), Economia, Cultura, História, Tecnologia e afins. Sou católico, casado, pai e corintiano fanático (desculpa a redundância).

Sobre o Autor

Alexandre Lopes

Médico, formado pela UFMA, e articulista. Entre meus interesses estão assuntos relacionados a Saúde, Educação, Política (nacional e internacional), Economia, Cultura, História, Tecnologia e afins. Sou católico, casado, pai e corintiano fanático (desculpa a redundância).