Roberto Carlos: muito além dos detalhes

Roberto Carlos: muito além dos detalhes

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Quem é Roberto Carlos?

Roberto Carlos Braga, cantor e compositor, nasceu na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo, em 19 de abril de 1941.

RCB-02Roberto começou a cantar aos 9 anos na Rádio Cachoeiro, onde cantava imitando Bob Nelson, cantor de grande sucesso naqueles tempos, lá Roberto também cantava pequenos boleros em espanhol.

Roberto saiu de Cachoeiro e mudou-se para a cidade de Niterói em 1957 para morar na casa de uma tia. Nessa época, o jovem Roberto começou a frequentar as ruas por onde também andavam Tim Maia, Erasmo Carlos, Jorge Benjor, entre outros que seriam conhecidos nacionalmente e até internacionalmente pouco tempo depois.

Roberto se apresentou algumas vezes como integrante do grupo “The Sputniks“, banda de Tim Maia e também na banda “The Snakes“, com Erasmo, mas sem obter muito sucesso, logo procurou seguir o seu próprio caminho.

Carreira Profissional

robertocarlosRoberto iniciou sua carreira profissional como crooner da boate Plaza no Rio de Janeiro, em fevereiro de 1959, onde cantava sambas-canções.

A boate Plaza era uma das mais badaladas boates da cidade naquela época, localizada no Beco das Garrafas e frequentada pelas pessoas mais influentes da época, lá Roberto começou profissionalmente na música (seu salário? seis mil cruzeiros antigos). Em junho daquele mesmo ano, Roberto lança seu primeiro compacto, um 78 RPM, com as canções “João e Maria” e “Fora do Tom”.

Sobre essa época, disse Roberto em uma entrevista: “O primeiro dia que cantei na boate Plaza foi inesquecível. Aquilo foi uma felicidade, uma maravilha, eu me senti um profissional. Pra mim, que tinha vindo de Cachoeiro, cantar naquele nightclub de Copacabana foi um negócio sensacional”. “Ali eu não podia cantar rock. Mas fiquei à vontade cantando da maneira que fazia em casa, muito parecido com João Gilberto”.

Nessa época, Roberto imitava João Gilberto, e seu primeiro disco, “Louco por você”, lançado em 1961, era todo bossa-nova, com boa parte das músicas compostas por Carlos Imperial. Até hoje fora de catálogo, teve uma tiragem de apenas 500 exemplares e é considerado item raro, encontrado no mercado por valores que ultrapassam R$ 5.000.

Em 1962, compôs seus primeiros sucessos, em parceria com Erasmo Carlos: “Splish, Splash” e “Parei na Contramão”. Essas músicas finalmente lançaram Roberto no cenário musical da época. Seguiram-se o disco “É Proibido Fumar”, em que se destacava a faixa “O Calhambeque” e assim, o início do movimento jovem que ficaria conhecido como Jovem Guarda.

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O maior sucesso da Jovem Guarda foi o programa de mesmo nome que começou a ser apresentado em 1965, na TV Record, em São Paulo, com Erasmo Carlos, a cantora Wanderléa e Roberto Carlos.

Os sucessos musicais se sucediam: “Quero que vá tudo pro inferno”, “A namoradinha de um amigo meu”, “Eu te darei o céu”, “Esqueça”, “Como é grande o meu amor por você” e “Negro Gato”.

Logo em seguida viriam os longas-metragens que consolidaram a carreira de Roberto. Os sucessos foram lançados na trilha do filme “Roberto Carlos em Ritmo de Aventura” (1968), cuja faixa de abertura é “Eu Sou Terrível”. Roberto também marcou presença no cinema com “Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa” (1968) e “Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora” (1972).

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O início dos anos 70, marcou também o início da fase romântica de Roberto Carlos, a música “Jesus Cristo” foi lançada no disco de 1970. Em 1971 veio “Detalhes”, que se tornaria uma de suas músicas mais tocadas e mais conhecidas. Esse disco também trouxe canções marcantes como “Amada Amante”, “Todos Estão Surdos”, “Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos”.

A partir de 1974, Roberto tornou-se artista contratado da Rede Globo e daquele ano até os dias de hoje mantém o seu especial de fim de ano e sua lista de sucessos não parou de crescer.

Em 1975 veio “Além do Horizonte”, em 1976  “Ilegal, Imoral ou Engorda” e “Os Seus Botões”, em 1977 “Cavalgada”, “Amigo”, já no ano de 1978 destacam-se canções como “Café da Manhã” e “Força Estranha” Em 1979 fez uma homenagem a seu pai com a canção “Meu querido, meu velho, meu amigo”, como tinha feito em 1978, para sua mãe, a canção “Lady Laura” e em 1976 para sua Tia Amélia, que deu abrigo para ele no começo da carreira, em Niterói.

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Em 1976 lançou o disco “San Remo 1968” – o nome foi em homenagem ao Festival de Música de San Remo, do qual Roberto foi o vencedor em 1968 com a canção “Cazone per te” de Sergio Endrigo, nesse disco de 1976, foram incluídas canções lançadas apenas em compactos até então, além das músicas em italiano: “Canzone per te” e “Un gatto nel blu”.

De 1980 em diante, veio um sucesso atrás do outro, canções como “Amante à Moda Antiga”, “Cama e Mesa”, “Emoções”, “Fera ferida”, “Caminhoneiro”, “Amor perfeito”, “Mulher pequena”.

Na década de 90 prestou homenagens aos taxistas, falou das gordinhas na música “Coisa bonita”, das mulheres de óculos em “O Charme dos seus óculos”, e também às mulheres mais maduras em “Mulher de 40”.

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Em 2006 lançou o trabalho “Duetos”, uma seleção de duetos com artistas dos mais variados gêneros musicais, em 2008 dividiu o palco com Caetano Veloso para homenagear Tom Jobim.

As mais recentes músicas em destaque da carreira de Roberto são “Furdúncio” (um funk bem-humorado) e “Esse cara sou eu”, músicas lançadas em 2012. O disco “Roberto Carlos em Jerusalém” também mereceu grande destaque naquele ano.

Nos últimos anos, Roberto continuou lançando discos, como “Roberto Carlos em Las Vegas” e “Primera Fila”, onde canta em português e espanhol.

Carreira Internacional

Paralelamente a sua carreira no Brasil, Roberto manteve também uma carreira internacional cheia de sucesso, que se iniciou em 1965, quando lançou seus sucessos da época em espanhol, no seu disco “Roberto Carlos canta a la Juventud”, que trouxe canções como “Es Prohibido Fumar” e “Mi Cacharrito” (O Calhambeque). Roberto lançou um disco por ano em Espanhol de 1972 até 1993.

Em 1997 gravou um disco inteiramente em espanhol, intitulado “Canciones que amo”.

Além de espanhol, Roberto também gravou em italiano, francês e inglês. Canções como “Canzone per te”, “Il mio amore per te”, “La donna di un amico mio” em italiano, “Et Puis Tout Commence” (Os seus botões), “C’est Fini Il Fault Se Dire Adieu” (À Distância) em francês, e “Breakfast” (Café da manhã), “You will remember me” (Detalhes), “JesusChrist” (Jesus Cristo)”, “Honestly” (Falando Sério), também fazem parte de seu repertório.

Em Italiano, Roberto gravou mais de 60 canções, além de incluir em seus shows, grandes sucessos de clássicos italiano, como “Champagne”, de Peppino di Capri. Na língua inglesa, Roberto dedicou um disco inteiro, com 12 faixas, em 1981. Em francês, lançou dois compactos nos anos 80, somando 4 gravações.

Vamos ver a seguir, uma lista com as 21 músicas essenciais para conhecer Roberto Carlos.

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As 21 músicas essenciais de Roberto Carlos

“Parei na contramão” (1963)
É a primeira composição de Roberto Carlos e Erasmo juntos e também a estreia do cantor no tema velocidade, assunto que seria bastante abordado em sua obra nos anos seguintes.

“Tenho um carinho especial por essa música. É uma canção água com açúcar, letra simples, nada de especial. Mas para mim representa muita coisa: foi o meu primeiro sucesso nacional. A partir daí passei a ser conhecido em todo o Brasil. Compus quando ainda trabalhava numa repartição pública no Rio. É para mim a moedinha número 1” disse Roberto Carlos.

“É proibido fumar” (1964)
Faz parte do terceiro disco de Roberto Carlos. Nessa época, ele passou a dirigir as próprias gravações, escolhendo os músicos que tocariam com ele.

“Quero que vá tudo pro inferno” (1965)
A música nasceu numa noite fria de junho de 1965, em Osasco, nos bastidores do cinema Rex, onde Roberto participaria de um show com outros artistas da música jovem da época.

“Namoradinha de um amigo meu” (1966)
Composta inicialmente para os Beatniks, banda de palco do programa “Jovem Guarda”, a música foi prometida por Roberto Carlos para ser o primeiro single do grupo. No entanto, o empresário do cantor na época achou o tema provocador e decidiu incluir a faixa no nono álbum de Roberto.

“Com é grande o meu amor por você” (1967)
Canção que dispensa comentários, uma das mais conhecidas do Brasil e que mesmo quem não conhece Roberto, já ouviu ou até mesmo cantarolou essa canção.

“Eu sou terrível” (1967)
“Eu sou terrível/ e é bom parar/ porque agora vou decolar…” música que foi tema de abertura de seu primeiro filme e que é uma das mais marcantes de sua carreira e de um dos disco mais apreciado por seus fãs.

“Você não serve pra mim” (1967)
A composição é de Renato Barros, um dos fundadores do grupo Renato e seus Blue Caps, do qual Erasmo Carlos fez parte no início dos anos 60. A banda acompanhou Roberto Carlos nas gravações de “Splish splash” e “Parei na contramão”.

“As canções que você fez pra mim” (1968)
Incluída no repertório do álbum intitulado “O inimitável”, a música foi inspirada em um caso do amigo e companheiro de banda Dedé, que fora dispensado pela namorada, a cantora Martinha. Segundo relatos, ela ficou sensibilizada, mas não voltou atrás.

“Se você pensa” (1968)
Na letra, Roberto diz: “Daqui pra frente, tudo vai ser diferente / você tem que aprender a ser gente / e o seu orgulho não vale nada”. O desabafo dispensa apresentações.

“As curvas da estrada de Santos” (1969)
Lançada em disco em 1969, a música foi interpretada por Elis Regina no Canecão em 1970. Erasmo Carlos foi conferir e diz que chorou de emoção.

“Uma noite eu estava descendo a serra da estrada de Santos para fazer um show no Guarujá. De repente, uma ideia antiga começou a crescer em mim. Eu sempre imaginava um cara dentro de um carro, sozinho, procurando desabafar toda a dor de um amor perdido. É a história de um rapaz que não tinha mais ninguém e só a velocidade poderia ajudá-lo a encontrar um novo amor. Quando voltei do show, não fui dormir antes de terminar a música.” disse Roberto.

“Sua estupidez” (1969)
Uma canção romântica assinada pela dupla Roberto e Erasmo Carlos, a música também fez sucesso na voz de Gal Costa.

Roberto disse: “Esta é um grito de alerta às pessoas que amam, mas vivem infelizes porque dão muito valor a detalhes insignificantes. Fiz a letra de manhã, depois de uma noite chuvosa. Acordei um pouco cansado de tudo, das coisas inúteis que passam a ser importantes para quem não entende nada do valor dos sentimentos. É horrível conviver com gente ‘emburrecida’ por qualquer coisinha.”

“Detalhes” (1971)
Sobre a música Detalhes (1971), considerada por muitos o seu maior sucesso, Roberto disse certa vez em uma entrevista na década de 70:

“É uma das letras de que mais gosto. Procura mostrar os encontros e desencontros de um jovem nos seus problemas afetivos. No fundo é uma tremenda fossa. Sou terrivelmente amarrado nessa canção. Sempre achava que precisava compor algo assim. Agora estou satisfeito. Detalhes foi feita numa tarde de chuva. Eu estava sentado na minha cadeira favorita e o Erasmo no chão. Quando terminamos fui correndo mostrar para a Nice. Ela adorou.”

“Proposta” (1973)
Roberto Carlos escreveu – “Eu te proponho nós nos amarmos/ nos entregarmos/ nesse momento tudo lá fora deixar ficar…” e a melodia veio através de Erasmo Carlos. O resultado agradou até ao poeta Vinicius de Moraes, que considerava Proposta uma das melhores canções de Roberto Carlos. “Ali Roberto é um bom letrista, tocando numa superfície romântica e intensa.”

Foi em 1973 que o público ouviu a até então mais ousada canção romântica de Roberto Carlos: Proposta. “Na época fiquei um pouco preocupado, não sabia o que o pessoal da censura podia achar, talvez criar algum problema”, lembra ele.

“É preciso saber viver” (1974)
Em “É preciso saber viver”, Roberto Carlos exalta a iniciativa individual, suas consequências e as responsabilidades que dela decorrem. Ao dizer que “Toda pedra no caminho, você pode retirar”, Roberto lembra a todos que as mudanças que queremos para o mundo, depende de nós mesmos, da ação individual. Roberto nos chama a retirarmos nós mesmos as pedras do nosso caminho, em vez de esperar que algum partido ou governo faça isso por nós. Música essencial para os dias que estamos vivendo.

“Além do Horizonte” (1975)
Faixa do álbum de Roberto Carlos em 1975. Nessa composição, o artista diz, em versos marcantes: “Além do horizonte deve ter / algum lugar bonito pra viver em paz”. Essa música fez muito sucesso na época de seu lançamento e até hoje é conhecida pelo público de várias gerações, através das inúmeros regravações feitas, por diversos artistas. Roberto e Erasmo concluíram quando estavam de folga num sítio, no interior de São Paulo.

“Ilegal, Imoral ou Engorda” (1976)
“Se faço alguma coisa sempre alguém vem me dizer/ que isso ou aquilo não se deve fazer/ restam os meus botões/ já não sei mais o que é certo…”, questiona Roberto Carlos.

“Amigo” (1977)
Canção feita por Roberto em homenagem ao parceiro Erasmo Carlos. A letra foi escrita na noite de aniversário do Rei e concluída num hotel em Los Angeles. A gravação marcou os 10 anos da retomada da amizade entre os dois músicos.

“Emoções” (1981)
“Quando eu estou aqui/ eu vivo este momento lindo/ de frente pra você/ e as mesmas emoções sentindo…” A intensidade da relação de Roberto Carlos com o palco foi retratada na música Emoções, faixa do álbum de 1981.

“Fera Ferida” (1982)
Fera ferida, lançada no álbum de 1982: “Acabei com tudo/ escapei com vida/ tive as roupas e os sonhos/ rasgados na minha saída/ mas saí ferido/ sufocando meu gemido…”.

“Caminhoneiro” (1984)
Caminhoneiro foi composta no piano e, quando surgiu a melodia, Roberto Carlos logo sentiu que aquilo tinha alguma coisa a ver com estrada, com velocidade, e imediatamente começou a cantarolar um início de letra: “Todo dia quando eu pego a estrada…” No dia do seu lançamento nacional, dia 19 de novembro de 1984, no período das 7 às 19 horas, Caminhoneiro bateu um recorde: foi executada 3287 vezes em todo o Brasil.

“Esse cara sou eu” (2012)
Grande destaque do ano de 2013, foi trilha sonora da novela “Salve Jorge” e uma das músicas mais executadas do Brasil, nos últimos anos.

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Detalhes da Carreira de Roberto Carlos

Único artista brasileiro a permanecer por mais de 50 anos seguidos nas paradas de sucesso.

Segundo a ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Discos), Roberto Carlos é o artista solo com mais álbuns vendidos na história da música popular brasileira. Seus discos já venderam mais de 120 milhões de cópias e bateram recordes de vendagem – em 1994 chegou a marca de 70 milhões de discos vendidos – incluindo gravações em espanhol, inglês, italiano e francês, em diversos países.

Roberto Carlos foi o primeiro não-italiano a vencer o célebre Festival de São Remo, em 1968.

O título de “Rei” foi dado a Roberto Carlos pelo apresentador de TV Chacrinha. A coroação ocorreu em 1966, durante um programa de Chacrinha.

O programa anual de Roberto Carlos na Rede Globo começou a ser transmitido em 1974.

Os especiais de final de ano já foram exibidos em mais de 20 países, inclusive países como Albânia e Finlândia.

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