O Brasil passa por uma grande crise moral

O Brasil passa por uma grande crise moral

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Se é bem verdade que o país passa por uma grande crise política, é fato claro que a crise não poderia deixar de ser moral. Em relação aos nossos valores, nossa cultura, no que acreditamos.

Pensem comigo, os políticos “saem do povo”, vão chegando aos seus cargos na vida pública, se tornam vereadores e vão subindo.

Não acredito que o poder corrompe somente por corromper. É um conjunto, uma série de fatores.

Se os bons nada fazem, não se engajam, não há do que reclamar que os “alpinistas sociais” e pessoas ávidas por dinheiro, façam um maior esforço para estarem na vida pública e dar vazão aos seus baixos instintos.

Já caí nisso de discutir esse tipo de idiotice, de que se você é bom e honesto, se candidate, e aí aparecer alguém pra dizer que não adianta porque a pessoa virará corrupto e um ladrão.

Enfim, cada um sabe de si, se o mesmo não têm tanta certeza sobre sua moral, que em hipótese alguma nessa vida irá pegar o que não é dele, irá roubar, não irá resistir “as tentações”, tudo bem. O problema é achar que isso se aplica a todo mundo.

Outra coisa que é característica da grande massa é a utilização de bodes expiatórios para tudo. Quanto mais impessoal for esse “bode”, melhor. Assim como algo bem abstrato como “a classe política”, por exemplo.

O quê é a classe política? Você vê, você toca, você vai lá tomar um cafézinho com a classe política inteira? Não, porque você nunca conseguirá abarcar a classe política inteira, como se fosse um único sujeito!

No máximo, você só poderá cobrar daquele seu vereador que você encarecidamente deu seu voto.

Mas aí é que está o outro problema psicológico da coisa.

Parece que para o povão, o político, mesmo um Vereador que seja, se imbui de uma “aura” especial, se torna intocável, uma “otoridade” como diz no interior, uma pessoa mais inteligente e incontestável até, e já não se pode fazer mais nada, a não ser deferências e elogiá-lo pela combinação da gravata!

Passado o deslumbramento, estará novamente o “Zezinho” falando mal da classe política no bar, quando teve “chances mil” de indagar o Vereador na hora do café.

O pior de tudo é quando esse Vereador não tenha ele mesmo a moral elevada para primeiro, não acreditar ele mesmo que seja superior ao “cidadão comum” e depois não deixar se reforçar, no sentido que atribuímos na psicologia, com tanta deferência de pessoas como o Zezinho que usamos de exemplo. Compreendem? Quanto mais pessoas o tratam como a “digníssima excelência”, mais ele vai acreditando nesse papel de intocabilidade.

Uma coisa que eu admiro por exemplo na cultura japonesa, é essa relação que sempre houve entre poder e povo.

Quem detém o poder serve, não é servido!

O lema principal dos samurais era servir sempre. Se o mestre morria, que serventia teria? Acabava com a própria vida. Não prego tanto, mas a reflexão é oportuna.

E o político é exatamente isso! Ele é o primeiro servidor do povo, nosso empregado!

Mas percebo que tanto político como povo, acreditam que estamos aí para servir o político.

Eu não! Dirão alguns! Será mesmo? Faça uma reflexão em seus pensamentos mais profundos sobre o caso e veja se na sua mente, não pulula pensamentos como “esses desgraçados pensam que estamos aí para servi-los!”

Se pensa dessa forma, há grande chance de você já estar os servindo sem saber, pois nossa mente possui suas “próprias leis”, onde um sujeito acaba se conformando no que acredita, dando respostas automáticas quando as ocasiões surgem. O sentimento de contrariedade não vêm muito do sujeito que você acha que fez com que agisse assim, mas a frustração é com você mesmo, que acabou interpretando esse papel inconscientemente. É por isso que devemos ter o cuidado de eliminar qualquer forma de vitimismo mental que possuímos!

Deixando essas conversas de lado, mas as considerando de forma profunda, percebemos como os políticos apenas são o reflexo de seu povo! Volto a afirmar, de seus valores, suas crenças, sua moral.

Um político japonês acusado de corrupção, matou-se. Políticos europeus se utilizam de transporte público podendo movimentar-se de limousine se quisessem. Quando o primeiro ministro inglês, percebeu que um projeto seu no qual tinha em alta conta (caso Brexit) não se deu como o esperado, renunciou.

No Brasil as coisas já foram diferentes, não ideais, mas diferentes.

Pegue entrevistas de Paulo Maluf, Collor, entre outros. A imagem passada tinha de ser de austeridade, tecnicidade, autoridade. Até mesmo comunicadores como Silvio Santos eram assim. Veja a série de programas onde fala sobre trabalho, moral, religião. Não sorria, olhava direto para a câmera como um leão.

silvio

Com o afrouxamento moral, todas as barreiras tiveram de ser destruídas entre essas figuras e o povo. Talvez não tenha sobrado nenhuma, pois quanto mais pudessem ser expostos ao ridículo, ou suas vidas pessoais, até mesmo sexuais devassadas, melhor.

Indo para o povo, quando você assistia programas de televisão, havia um cuidado no que você poderia falar e depois com a revolução sexual e a contracultura, quanto mais temas e exemplos práticos você pudesse trazer para a “quebra de tabus” (palavra de ordem), melhor.

Se você exibia novelas, filmes e seriados, havia uma espécie de padronização invisível. Você tinha de ter o mocinho, a mocinha, o bandido. A moral destes ou a falta no caso do último, era bem definida. Vivíamos a época da moral absoluta e caímos na moral relativa. E hoje em dia perguntam: O que é a moral?

Antigamente os mocinhos se davam bem, o bandido não. O crime não compensa, era a mensagem de fundo. Depois os mocinhos passaram a ser a representação de tudo o que o povo não queria ser. Ingênuos, burros, eram passados para trás com a maior facilidade. O bandido não sofria, era inteligente, sedutor, charmoso, engenhoso, destemido, mas ainda sim se dava bem por toda a obra, até que no fim, os mocinhos eram acometidos por grande lampejo de brilhantismo e resolviam tudo, matavam todas as charadas e venciam. As coisas foram se tornando tão absurdas, que o próprio povo passava a odiar os mocinhos e acabavam torcendo pros vilões do começo ao fim. Pronto! Engenharia social perfeita! Agora podem se dar ao luxo de escrever obras onde os bandidos também saem livres, ilesos e terminam felizes no final.

E os valores? Será que o crime não compensa mesmo? Podem pensar. Será que a moral não é mesmo você quem faz? Será que essa coisa de tudo certinho não é coisa de (notem a evolução das gírias): “quadrado”, “careta”, “coxinha”? Ou ainda, “retrógrados”, “reaças”, “conservadores”?

Será que o que importa mesmo não é ser feliz? Sai pra lá, sacrifício, doação, trabalho… como sugeriu Raul Seixas em uma música, foge Jesus, pra não morrer na cruz! Se posso ser feliz agora, por quê a longo prazo? (Mesmo que seja mais duradouro e mesmo que o prazer, a felicidade agora sejam fugazes.)

Se você sente prazer faça, senão não faça! Pensam. (Instintos?)

Quando você ligava a rádio, não importa em que estação, era muito provável que você ouvisse algum rock. Era claro que as músicas também eram acometidas por ideologias da revolução sexual, contracultura, marxismo, mas muitas faziam pensar e refletir sobre a vida. Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii, Nenhum de Nós…

Você ia em um barzinho e as músicas estavam lá, nos supermercados, nas trilhas das novelas, nas festinhas com amigos… todos os jovens ouviam!

Depois veio o pagode, veio o sertanejo, o axé, o sertanejo universitário, enfim, a moda do momento, em todos os lugares, em todas as estações de rádio, com todos os jovens ouvindo. O que falam essas músicas?

Há uns anos atrás eu tive a oportunidade de trabalhar como Psicólogo em uma instituição que atendia crianças de baixa renda da periferia. As famílias era muito humildes.

Quase não consumiam nada culturalmente falando, a não ser TV e rádio.

Um episódio especial que me marcou dentre tantos, foi um dia ter chegado para trabalhar e no pátio foi permitido que as crianças ouvissem as músicas que quisessem e fizessem o que quisessem. Dançar por exemplo.

Foi um erro elas não terem supervisão, mas estavam lá.

No radinho estava tocando um daqueles funks que classificam como “proibidão”. Sei que quando narro o episódio, pensam que eu estou exagerando, mas a letra “não lembrava”, “não fazia alusão”, era explícita mesmo, falando sobre atos sexuais da pior maneira possível, as crianças estavam dançando a coreografia, que realmente era a simulação de um ato sexual, com caras e bocas e os meninos simulavam animação olhando as meninas. Eram garotos que ainda nem tinham a idade de 2 dígitos!

Indagados se os pais deles sabiam que ouviam essas músicas, todos concordaram e pareceram bem sinceros que os próprios pais ouviam essas músicas em casa!

Não era de se espantar pois não era raro casos em que as crianças presenciavam os atos sexuais de suas mães solteiras com casos e namorados ocasionais.

Parece que em tudo isso houve um ponto de disrupção onde um novo sistema social fôra instalado.

De uma “hora para outra” as meninas apareciam com shortinhos onde a “polpa” de suas nádegas apareciam, roupas cada vez mais curtas, se as mães não deixavam que se maquiassem e usassem batons vermelhos, era uma briga.

Constantemente falavam de namoro. Crianças de 7, 8 anos de idade me procuravam dizendo “sofrer” por rejeições amorosas. Algumas lançavam olhares cheios de malícia para os garotos.

Vocês têm idade para ficar pensando nessas coisas molecadas? – Poxa tio! Isso aparece até na novelinha infantil!

carrossel

Recentemente li uma matéria que se criticava uma recente onda na Europa, onde as roupas íntimas infantis estavam cada vez mais parecidas com as roupas adultas, mais provocantes e até mesmo com palavras como “Dare” (algo como desafio, do inglês) e os pais se perguntando: “O que diabos isso significa na calcinha de uma garotinha?”

Logicamente como aconteceu no caso das burcas na França, aparecerá um grupo no caso das roupas provocantes para crianças-garotas, dizendo que isso é um absurdo e que estimulará pedófilos-estupradores. Outro grupo dirá que ninguém tem nada a ver como o outro se veste, que cada um se veste como quer (realmente), mas o pior de tudo é que irá comprar e fazer suas filhas vestirem “só de pirraça”. A culpa é dos estupradores que não conseguem se segurar, certo?

Mas quando a direita luta por penas mais duras contra estupradores, alegam que são “só pessoas doentes!”

Ora, então é prudente deixar algo/alguém exposto a um doente que não é “responsável por seus atos”, não “consegue se segurar?”

E a humanidade vai agindo assim, de forma automática, sem reflexão, reagindo de acordo com emoções e sem a integração com seu lado racional.

Voltando ao Brasil, soube recentemente que o programa Vídeo Show voltou a reexibir uma série famosa dos anos 90, onde os atores interpretavam “pessoas comuns” em dilemas morais. O telespectador ligava para a emissora e escolhia o final do personagem: Escolheria ato X ou Y na situação tal? O final mais votado seria exibido.

Você_Decide

Em uns 2 episódios, como por exemplo, você acha uma maleta cheia de dinheiro na rua, você devolve ou fica com ela? Para surpresa tanto dos apresentadores dos anos 90, quanto os de quase 2 décadas depois (agora no presente, no caso dos apresentadores do Vídeo Show), o público escolheu finais imorais!

Cai por terra aquela coisa de que o povo brasileiro antigamente era estritamente moral! (Considero mais, mas em termos de escala, não completamente moral, afinal tínhamos políticos corruptos, certo?)

E que com o politicamente correto, agora somos mais morais, como a esquerda defende. Mas o resultado é o mesmo do passado!

Então é óbvio que do meio de um povo corrupto, só possa mesmo sair políticos corruptos! Macieira não dá laranja!

Antigamente havia um comercial muito citado, que virou piada nacional, a “lei de Gerson” (“porque eu gosto de levar vantagem em tudo, certo?”), e ouvia “ditados populares” ditos com ares de genialidade, coisas como: “pecado é roubar e não poder carregar” e “o mundo é dos espertos”.

Haviam “tradições” morais que eram passadas a larga, muito boas, mas que desapareceram com o tempo, como “mulher não se bate nem com uma flor” e “não ser covarde batendo em alguém mais fraco”.

Infelizmente o sentido de covardia entre alguém “mais forte e mais fraco” não se estendia para “alta intelectualidade e baixa intelectualidade”.

Parecia que os “burros, os trouxas, mereciam sofrer, serem passados para trás”, ou “quem mandou eu ser burro?”

Não havia essa moralidade que a covardia intelectual também era covardia. Não se aproveitar nem mesmo intelectualmente dos “mais humildes” se pode se chamar assim.

Aliás essa questão da intelectualidade merece uma atenção especial.

O Brasil é reconhecido por não dar valor à cultura e aos seus intelectuais, ainda mais se não são adeptos da “ideologia vigente”, e o povão, tão avesso ao intelecto, chega a considerar que: “todo sujeito muito inteligente deve ser visto com desconfiança”, “não deve ser boa pessoa”. Alguma semelhança com os vilões da teledramaturgia?

Parece que não há a menor possibilidade de uma pessoa ser inteligente, culta e letrada e ao mesmo tempo uma excelente pessoa, de boa índole, caráter, moral, caridosa e cristã.

Talvez daí venha a preferência do povo em votar até mesmo em quem fala errado, em quem não sabe nem fazer uma conta de 2+2.

Se é “humilde”, querem dizer, pobre (confudem humildade com pobreza), é bom!

Mas sempre prego que não adianta ser bom e chegar lá e não saber fazer nada!

É somente mais uma forma de corrupção, pagar um sujeito para ficar sem fazer absolutamente nada e ficar o tratando como “otoridade”, e você, eleitor, está fazendo esse papel de corruptor!

Acredito mesmo que até a própria classe intelectual, assim como naquele processo psicológico que citei, referente aos políticos, comecem a se julgar acima do bem e do mal.

Surpreendeu-me um caso de um colega de redação uma vez que admitiu publicamente que segue a risca as técnicas descritas no livro de Schopenhauer sobre “Como vencer um debate sem ter razão”, dizendo que não lhe interessa descobrir a verdade, somente destruir o seu inimigo ali, naquele momento, para que ele se promova e o derrote. Ou seja, se tiver de mentir, inventar, entre outras táticas escusas, o fará. Quanta falta de caráter, de moral!

E o mesmo realmente o faz, pois de tempos em tempos o mesmo inventa artigos contra seus desafetos, quando não pega mesmo seus textos, os reinterpreta e diz que a idéia original era sua! (Já chegou até a roubar idéia alheia, e dizer que a pessoa do qual roubou pregava o contrário.)

Com todas as provas produzidas surpreende ainda que outros colegas não vêem nada demais nisso, se é que portanto, também não o fazem!

Espero que com tudo isso eu possa gerar uma reflexão para o futuro, de longo prazo. Se o Brasil passa por uma crise moral, se o seu povo é corrupto, isso fôra construído ao longo dos anos, pouco a pouco, passo a passo, como é tudo nessa vida. Para se tornar moral, deve seguir o mesmo processo lento e gradual. Essas duas forças são antagônicas e ora geram pressão para um lado e ora para outra. Um povo não decide ser moral ou imoral e pronto. Já é. Tudo faz parte de um processo, um eterno vai e vem.

Por isso mesmo a reflexão de curto prazo é que devemos apoiar por exemplo, candidatos conservadores, em que você analise não só suas propostas, como também no que acredita, no que ele é contra ou a favor, no que já construiu nessa vida! Eu disse ANALISE e não olhe para sua cara e veja se ele é “simpático”.

E que tomemos cuidado com agendas políticas já declaradas por ideólogos idolatrados por gerações, que pregam coisas como “as igrejas devem ser tomadas desde dentro, devemos misturar e absorver seus ensinamentos os deturpando e tornando irrelevantes seus ensinamentos morais”; “a educação genuína deve ser substituída pela propaganda ideológica”; “moralidade, decência e virtude devem ser ridicularizadas incessantemente por todas as formas e veículos de massa”; “homens tradicionais e conservadores devem ser taxados de falsos e as mulheres virtuosas de hipócritas”, entre outras coisas. É ou não é um plano demoníaco?

Se sim, portanto, somente será vencido com a mais alta cultura e moral cristã, esforço, trabalho e sacrifício. Alegrias e felicidade duradoura serão acrescentadas após, como acréscimo.

Por Frederico Yamada