Olhar Atual

A Meritocracia e a Educação

A Meritocracia é uma mola que, se bem aplicada, pode impulsionar quase todos os setores da sociedade, em especial, a Educação. Vemos que no setor público a Educação começa meritocrática. Como? Os professores, em sua maioria, salvo algumas exceções, são contratados via concursos que nada mais é do que uma forma de se selecionar os melhores, os mais aptos, separando assim o joio do trigo. Mas a grande questão e o grande dilema dos serviços públicos em geral é que uma vez dentro do sistema, ou seja, uma vez aprovado no Concurso, a maioria dos servidores cai num mar de comodismo, pois o esforço não é recompensado e nem o desleixo é punido.

É aí que a Meritocracia pode fazer a diferença. Voltando para a área da docência vamos exemplificar observando os professores A e B. O professor A é aquele cara dinâmico, empolgado, que gosta muito do que faz e tenta sempre motivar a sua turma; trazendo assuntos do cotidiano para serem discutidos com a sua matéria, levando os alunos a museus, trazendo filmes para assistir com a turma, passando e corrigindo tarefas de casa, sempre se atualizando; enfim um professor-modelo. Já o nosso professor B já é um professor calejado, descrente de que seus alunos queiram aprender algo e não só “passar de ano”, geralmente chega atrasado, falta várias vezes no ano, ensina o arroz-com-feijão todo santo ano sem atualização de nada, não passa lição para casa e por isso é até “querido” pela turma, muitos contam piadas e enrolam para o tempo da aula passar; enfim um professor abaixo da média. Mas o que acontece no fim do mês!? O professor A e o B recebem o mesmíssimo salário. E assim sucessivamente mês após mês… E com os professores o que acontece? O professor A, coitado, perde noites de sono corrigindo tarefas e estudando e se aperfeiçoando para buscar sempre novos assuntos e novas formas de ensinar o conteúdo; e com isso vem o stress, a fadiga e às vezes até doenças devido a má alimentação, queda da imunidade e distúrbios do sono e afins. Já o professor B esse vai muito bem obrigado! Sua saúde é ótima, aproveita as férias para cuidar de si mesmo e viajar, emenda feriados, pois uma “faltinha” só no trabalho não faz diferença nenhuma, vai ao médico várias vezes no ano, algumas sem necessidade até, pois o atestado cobre quantas faltas forem preciso; enfim a vida é ótima, desde que o salário caia religiosamente na sua conta no final do mês. Em resumo, caros leitores, vocês acham que com o passar do tempo o Professor B se tornará o Professor A ou vice-versa?!? Óbvio que, em sua maioria, por não ver o seu esforço reconhecido o Professor A vai cada vez mais se acomodando, relaxando e passando a ministrar uma aulinha meia-boca, mas que lhe garantira o seu salariozinho de sempre e veja! Menos stress e dor de cabeça.

Já num sistema meritocrático com avaliações objetivas e até subjetivas do quadro docente o Professor A – o professor-modelo – teria ao final de um período o seu esforço compensado com um bônus, de preferência salarial, para demonstrar que entre vários professores daquela escola ele se destaca por motivar mais seus alunos, por fazer com que eles se interessem mais pela matéria e assim aprendam mais e tirem notas melhores; a bonificação não precisa ser somente financeira não, a Secretaria de Educação pode organizar premiações entre as várias escolas de sua rede e assim premiar com medalhas e outras honrarias que trariam destaque e respeito àquele professor que se destacasse mais dentre os seus pares. Bem nesse caso eu volto aquela pergunta: vocês acham agora, caros leitores, que o Professor A se tornaria o Professor B ou vice-versa?!? A tendência natural é a de que aquele professor relapso – exemplificado aqui pela letra B – vendo os demais colegas se destacando, recebendo um acréscimo em seus soldos devido aos bons resultados em sala de aula, vendo-os serem premiados e cortejados em premiações, comece a se esforçar mais, a estudar e se reciclar mais, e a apresentar uma nova dinâmica em sua sala de aula para que daí ele possa também “fazer por merecer” ter todos esses bônus também.

Então em vez de todos se nivelarem por baixo como o atual sistema assim os “incentiva”, a meritocracia impulsionara que os mesmo queiram se destacar tentando se nivelar por cima! E qual é o grande problema para que tal sistema seja implantado no Brasil? O principal entrave são os Sindicatos, no caso aqui o dos professores, que em nome de uma falsa defesa dos interesses da categoria justificam que isso feriria a sagrada “isonomia salarial”. Mas vejam vocês que em nenhum momento sugere-se que sejam reduzidos os salários de nenhum docente; mantem-se (ou amplia-se se for o caso) o atual Piso Salarial da categoria e acrescenta-se os bônus para os melhores. Ora então se o medo dos Sindicatos não é o de uma redução salaria qual seria? Seria medo de que os professores necessitariam “suar mais a camisa” para conseguir um aumento salarial compatível é isso? Seria medo de bullyng contra os professores acomodados?

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Não há explicação racional possível para ser contra o modelo meritocrático na educação pública brasileira seguindo padrões já testados internacionalmente como ocorrem na Coréia do Sul, China, Japão, Finlândia, Suécia dentre outros. O caso sul-coreano é o de maior destaque, mas deixarei para falar da Coréia do Sul entre outro post. O que precisamos focar é que precisamos de uma mudança radical na educação pública brasileira, pois já tivemos um excelente aumento quantitativo, ou seja, praticamente há um número suficiente de escolas para toda a população em idade escolar (embora muitas em estado calamitoso de conservação); já o aumento qualitativo este é incipiente, não pontuamos bem nas questões mais básicas, o analfabetismo funcional, aquele em que o cidadão não consegue fazer operações básicas de matemática e nem consegue ler e interpretar um texto um pouco mais complexo, como este aqui por exemplo, é gritante na nossa sociedade e não só entre os alunos de 1º e 2º graus como no ensino superior também.

A meritocracia dentre o corpo docente não seria o único instrumento a alavancar a qualidade do ensino público, mas seria a mais fácil de implantar, caso o governo federal estivesse mesmo disposto a ver uma mudança no longo prazo e claro peitar os retrógrados sindicatos de professores, em nome de um real avanço da educação.

 

Alexandre Lopes

Médico, formado pela UFMA, e articulista. Entre meus interesses estão assuntos relacionados a Saúde, Educação, Política (nacional e internacional), Economia, Cultura, História, Tecnologia e afins. Sou católico, casado, pai e corintiano fanático (desculpa a redundância).

Sobre o Autor

Alexandre Lopes

Médico, formado pela UFMA, e articulista. Entre meus interesses estão assuntos relacionados a Saúde, Educação, Política (nacional e internacional), Economia, Cultura, História, Tecnologia e afins. Sou católico, casado, pai e corintiano fanático (desculpa a redundância).